O ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcelos (PL), declarou neste ano um patrimônio de R$ 19,23 milhões. A evolução dos bens ocorreu após os dois mandatos em que esteve à frente do município, entre 2017 e 2024, e passou a ser observada no contexto da operação deflagrada pelo Núcleo de Atuação de Competências Originárias (Naco) nesta sexta-feira (25).
Na declaração apresentada em 2016, quando disputou e venceu a eleição municipal, Barcelos informou possuir R$ 1,85 milhão em patrimônio. Entre os bens registrados estavam duas propriedades rurais avaliadas em R$ 900 mil e aproximadamente R$ 498 mil em gado.
Em 2020, durante a campanha pela reeleição, o patrimônio declarado passou para R$ 2,41 milhões. Naquele ano, constavam uma fazenda avaliada em R$ 1 milhão e outros R$ 1 milhão em semoventes.
Na declaração mais recente, o valor informado chega a R$ 19,23 milhões. A relação inclui propriedades rurais localizadas em Vila Bela da Santíssima Trindade e na Gleba Antonieta, além da Fazenda Princípio, avaliada em R$ 8 milhões. Barcelos também declarou possuir R$ 1,5 milhão em gado.
Investigação
A operação conduzida pelo Naco cumpre 12 ordens judiciais para apurar possíveis crimes relacionados a contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda durante a gestão de Barcelos. Entre as suspeitas investigadas estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.
Segundo a investigação, a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. teria sido favorecida em contratos firmados com o município. Ao todo, foram identificados sete acordos, sendo cinco deles celebrados entre 2022 e 2023, com valores de aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com a correção, o montante chega a R$ 5,78 milhões.
A apuração também analisa a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito. Conforme o Naco, a negociação teria sido realizada mediante o pagamento de 100 cabeças de gado da raça Nelore.
Os investigadores afirmam, contudo, que não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
As suspeitas permanecem sob investigação e deverão ser esclarecidas ao longo do procedimento. Os fatos apurados ainda não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.




