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COP17 da Desertificação começa na Mongólia com foco em seca, recuperação de terras e segurança alimentar

Conferência reúne representantes de 196 países e da União Europeia até 28 de agosto para discutir financiamento, combate à degradação do solo e criação de mecanismos globais contra as secas.

🕒 Publicado em 17/08/2026 às 09:42

A cidade de Ulaanbaatar, capital da Mongólia, tornou-se nesta segunda-feira (17) o centro das discussões internacionais sobre um dos desafios ambientais que mais afetam populações e economias: a degradação das terras e o avanço das secas.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) reúne representantes de 196 países e da União Europeia até 28 de agosto. O encontro busca transformar compromissos ambientais em ações concretas para recuperar ecossistemas, ampliar a segurança hídrica e alimentar e fortalecer a capacidade das comunidades de enfrentar períodos prolongados de estiagem.

A conferência também terá a missão de avançar em temas que ficaram sem consenso durante a COP16, realizada em 2024, em Riad, na Arábia Saudita.

Combate global às secas é um dos principais desafios

Um dos assuntos mais importantes da COP17 será a criação de um novo instrumento internacional voltado ao enfrentamento das secas.

A proposta ganhou força durante a COP16, especialmente entre países africanos, que defenderam a criação de um mecanismo juridicamente vinculante. Na ocasião, entretanto, não houve consenso entre os países participantes.

Agora, a expectativa é retomar as negociações e buscar uma estrutura capaz de fortalecer a prevenção, o planejamento e a resposta aos períodos de estiagem.

Segundo a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, o número de países que desenvolveram planos nacionais contra a seca aumentou significativamente desde 2013.

A expectativa é que a nova conferência avance não apenas na elaboração de políticas, mas principalmente na implementação de medidas capazes de produzir resultados concretos.

Financiamento é considerado essencial

Outro grande desafio está relacionado aos recursos necessários para enfrentar a degradação das terras.

De acordo com Louise Baker, diretora-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, seriam necessários aproximadamente US$ 1 bilhão por dia até 2030 para alcançar os objetivos internacionais de proteção e recuperação das terras.

O financiamento público continua sendo considerado fundamental para reduzir riscos e estimular investimentos privados.

A conferência também deverá discutir mecanismos capazes de aproximar empresas da agenda ambiental. Setores como alimentos e bebidas, moda, indústria farmacêutica e cosméticos dependem diretamente de matérias-primas produzidas em áreas ambientalmente saudáveis.

A restauração de terras, portanto, também é tratada como uma oportunidade econômica.

Segundo a UNCCD, cada dólar investido na recuperação de áreas degradadas pode gerar entre US$ 7 e US$ 30 em benefícios econômicos, dependendo das condições e dos projetos desenvolvidos.

Neutralidade da Degradação da Terra

Outro ponto central da COP17 será a Neutralidade da Degradação da Terra (LDN).

Mais de 130 países já estabeleceram metas voluntárias relacionadas ao conceito, que busca garantir que a quantidade e a qualidade das terras produtivas sejam mantidas ou ampliadas.

A estratégia segue três etapas principais: evitar, reduzir e reverter a degradação.

A preocupação vai além da preservação ambiental. A recuperação dos solos está diretamente ligada à produção de alimentos, à disponibilidade de água e à estabilidade econômica das comunidades.

A projeção apresentada durante a conferência aponta que, até 2050, será necessário produzir pelo menos 50% mais alimentos, enquanto aproximadamente 100 milhões de hectares de terras saudáveis e produtivas são perdidos todos os anos.

Brasil apresentará metas internacionais

O Brasil deverá aproveitar a COP17 para apresentar à comunidade internacional seu primeiro conjunto de metas relacionadas à Neutralidade da Degradação da Terra.

Levantamento realizado por órgãos públicos e instituições de pesquisa identificou aproximadamente 55 milhões de hectares de terras em processo de degradação em 2020.

O país pretende apresentar iniciativas relacionadas à conservação ambiental, proteção de territórios indígenas e comunidades tradicionais, além de ações de recuperação e restauração de áreas degradadas.

Para o governo brasileiro, essas medidas podem contribuir para o cumprimento das metas internacionais de recuperação das terras.

Povos indígenas terão participação ampliada

A participação de povos indígenas e comunidades tradicionais também ganha destaque nesta edição da conferência.

Durante a COP16, em 2024, foi aprovada uma proposta brasileira para criação do Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, espaço oficial destinado à articulação política e à troca de experiências dentro da Convenção.

Na Mongólia, será a primeira vez que esse grupo terá participação formal de destaque na programação oficial.

A medida busca ampliar a presença de comunidades diretamente afetadas pela degradação dos solos, desertificação e secas nas discussões internacionais.

Além das populações tradicionais, a programação prevê fóruns e debates envolvendo juventude, comunidades locais, setor privado e pastoralistas.

Segurança alimentar e água também estão na agenda

As discussões da COP17 não ficarão restritas ao solo.

A programação inclui temas como segurança hídrica, sistemas alimentares, saúde dos solos, recuperação de pastagens e resiliência às secas.

A relação entre esses assuntos é direta: terras degradadas apresentam menor capacidade de produção, retenção de água e manutenção de ecossistemas, aumentando a vulnerabilidade de comunidades e atividades econômicas.

Por isso, os participantes defendem uma abordagem integrada entre as diferentes agendas ambientais das Nações Unidas.

Integração entre clima, biodiversidade e desertificação

Outro objetivo da conferência é ampliar a articulação entre as três principais convenções ambientais da ONU: mudanças climáticas, biodiversidade e combate à desertificação.

A avaliação é que os problemas estão interligados e precisam ser enfrentados de maneira coordenada.

A recuperação de áreas degradadas, por exemplo, pode contribuir simultaneamente para a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono, a proteção dos recursos hídricos e a produção de alimentos.

Mongólia recebe debate global

Ao sediar a COP17, a Mongólia coloca em evidência sua própria experiência com processos de degradação das terras e avanço da desertificação.

Até 28 de agosto, governos e representantes da sociedade civil deverão discutir compromissos, mecanismos de financiamento e estratégias para transformar metas ambientais em ações efetivas.

A expectativa é que a conferência deixe resultados concretos para prevenção e enfrentamento das secas, recuperação dos solos e fortalecimento das comunidades que vivem diretamente os efeitos da degradação ambiental.

**Informações via Agência Brasil

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