Um episódio ocorrido durante a internação de um adolescente de 17 anos no Pronto-Socorro de Várzea Grande levantou questionamentos entre familiares sobre as condições de atendimento e os cuidados de higiene oferecidos na unidade. Durante a permanência no hospital, larvas foram encontradas no interior do curativo que protegia o braço do jovem, que havia passado por cirurgia após sofrer um grave acidente de motocicleta.
O caso foi percebido pela família na quarta-feira (12), quatro dias depois do acidente ocorrido em uma fazenda localizada em Nossa Senhora do Livramento. Vanderson Campos de Magalhães sofreu fraturas no braço e na perna e precisou ser submetido a procedimento cirúrgico.
Segundo a mãe do adolescente, Creonice Campos, o filho teria permanecido cerca de dois dias sem tomar banho e o curativo do braço não teria sido substituído durante esse período. A família também relata outras dificuldades enfrentadas durante a internação, entre elas problemas relacionados à limpeza, climatização dos ambientes e alimentação.
Larvas foram identificadas durante a internação
De acordo com os familiares, a situação chamou atenção quando perceberam movimentação na região do braço do adolescente. Ao verificarem o curativo, encontraram as larvas e imediatamente comunicaram a equipe responsável pelo atendimento.
Após a identificação, o jovem foi encaminhado novamente ao centro cirúrgico. Conforme informações repassadas pelo hospital, foram realizados procedimentos de higienização e assepsia na região afetada. O adolescente também recebeu medicamentos, incluindo antibióticos.
A equipe médica informou que, depois da limpeza realizada no local, não foram encontradas novas larvas.
Hospital diz que não é possível determinar a origem
O enfermeiro responsável pelo centro cirúrgico, Hermilton Jorge Sousa Filho, explicou que não é possível estabelecer com precisão quando ou onde os organismos teriam surgido.
Segundo ele, pacientes que apresentam fraturas expostas passam por procedimentos de higienização antes da cirurgia. Após a realização do procedimento, o primeiro curativo normalmente permanece por aproximadamente 24 horas, seguindo os protocolos adotados pela equipe.
Ainda conforme as informações repassadas pela unidade, Vanderson deverá permanecer em tratamento durante um período estimado entre sete e 15 dias. A medida tem como objetivo controlar o inchaço e acompanhar uma possível infecção antes que seja realizada a cirurgia definitiva.
Família também questiona estrutura da unidade
Além do problema envolvendo o curativo, os familiares afirmam ter enfrentado dificuldades relacionadas à infraestrutura do pronto-socorro. Entre as reclamações estão aparelhos de ar-condicionado que não estariam funcionando e problemas relacionados à limpeza do ambiente.
A diretora da unidade, Ângela Saboia, confirmou que o pronto-socorro passa por um processo de reorganização de contratos em razão da situação financeira enfrentada pelo município. Segundo ela, a administração busca manter os serviços considerados essenciais durante esse período.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha a situação do adolescente e que os familiares estão recebendo orientações da equipe médica responsável sobre as etapas do tratamento.
O caso deverá continuar sendo acompanhado durante a recuperação do jovem, principalmente em relação à evolução do quadro clínico e à possibilidade de infecção na área submetida ao procedimento cirúrgico.




