Uma ferramenta criada para reduzir o número de ligações indesejadas passou a ser alvo de uma disputa entre operadoras de telefonia no Brasil. O serviço Vivo Anti-spam, disponibilizado automaticamente para novas linhas móveis da operadora, está sendo questionado por empresas do setor, que afirmam que o sistema estaria bloqueando chamadas legítimas, inclusive de hospitais, órgãos públicos e prestadores de serviços essenciais.
As reclamações foram encaminhadas à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que informou estar analisando os casos para buscar uma solução que concilie a proteção dos consumidores com o funcionamento adequado das comunicações entre empresas e usuários.
Operadoras relatam bloqueio de milhares de chamadas
Entre as empresas que formalizaram reclamações está a Adyl Telecom, que informou que mais de 16 mil ligações foram interrompidas desde o início de junho. Segundo a operadora, os bloqueios afetaram atendimentos realizados por hospitais e instituições públicas.
Outro caso envolve a 3corp Technology, responsável pelos serviços de telefonia da Prefeitura de Araçatuba (SP). A empresa afirmou que chamadas realizadas por mais de 800 números oficiais do município deixaram de chegar aos usuários da Vivo.
De acordo com a prestadora, as ligações eram destinadas à comunicação em áreas como saúde, educação e segurança pública, comprometendo o atendimento à população.
Posteriormente, a 3corp informou que, após negociações com a operadora, os números foram liberados e voltaram a funcionar normalmente.
Outras empresas também contestam sistema
Além da Adyl e da 3corp, outras operadoras e prestadoras de serviços de telefonia também apresentaram questionamentos à Anatel.
A Net2Phone Brasil aguarda uma reunião de conciliação mediada pela agência reguladora.
Já a Agera Telecomunicações afirma que passou a receber diversas reclamações de clientes após a implantação do sistema, classificando a ferramenta como um mecanismo que compromete artificialmente o tráfego de chamadas.
As empresas Ateky Internet e Ágil Telecom também relataram dificuldades semelhantes, alegando que ligações originadas em suas redes estariam sendo bloqueadas quando destinadas a clientes da Vivo.
Questionamentos sobre critérios de bloqueio
Outro ponto levantado pelas operadoras diz respeito à falta de transparência sobre os critérios utilizados para identificar chamadas consideradas suspeitas.
Segundo algumas empresas, até mesmo números autenticados pelo sistema Origem Verificada estariam sendo bloqueados.
Essa tecnologia utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN, desenvolvido para confirmar a autenticidade das ligações e reduzir fraudes envolvendo falsificação de números telefônicos.
A expectativa das empresas é que números previamente certificados não sejam tratados como potenciais fontes de spam.
Anatel acompanha o caso
A Agência Nacional de Telecomunicações informou que abriu espaço para a apresentação da defesa da Vivo e analisa toda a documentação encaminhada pelas partes envolvidas.
Segundo a agência, o objetivo é construir um entendimento técnico que possa ser aplicado de forma uniforme aos diferentes casos apresentados, preservando tanto a segurança dos consumidores quanto a prestação adequada dos serviços de telecomunicações.
Vivo defende ferramenta
Em sua manifestação à Anatel, a Vivo informou que o serviço está disponível desde novembro de 2024 e foi desenvolvido para impedir chamadas automáticas e fraudulentas realizadas por meio de números adulterados, prática frequentemente utilizada por golpistas.
A operadora também explicou que a ferramenta passou por uma fase de testes envolvendo cerca de 700 mil usuários antes de ser expandida para toda a base de clientes móveis.
Segundo a empresa, o objetivo é aumentar a segurança das comunicações e reduzir o impacto das chamadas indesejadas, protegendo os consumidores contra tentativas de fraude e abuso do sistema telefônico.




