Com o avanço da estiagem e o aumento do risco de incêndios em Mato Grosso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforçou sua campanha anual de conscientização sobre a prevenção às queimadas. A iniciativa busca mobilizar produtores rurais e a sociedade para reduzir a ocorrência de focos de incêndio, destacando os impactos ambientais, econômicos e produtivos provocados pelo fogo.
Segundo a entidade, as queimadas representam uma das principais ameaças ao agronegócio durante o período seco, podendo comprometer lavouras, maquinários, infraestrutura das propriedades e, principalmente, a qualidade do solo, elemento essencial para a produção agrícola.
O vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou que a campanha faz parte de um trabalho permanente de orientação aos produtores, especialmente nos meses em que as condições climáticas favorecem a propagação das chamas.
De acordo com ele, além dos prejuízos financeiros, os incêndios colocam em risco o patrimônio das famílias que vivem no campo e comprometem um dos recursos mais valiosos da atividade agrícola: o solo.
Produtores atuam na linha de frente contra os incêndios
Luiz Pedro Bier ressaltou que, em muitas situações, os próprios agricultores são os primeiros a agir no combate aos focos de incêndio, colaborando inclusive com propriedades vizinhas para impedir que o fogo se espalhe.
Segundo ele, essa atuação rápida demonstra o comprometimento dos produtores com a preservação das áreas produtivas e dos recursos naturais, já que os danos provocados pelas queimadas afetam toda a região.
O dirigente também explicou que as altas temperaturas geradas pelo fogo destroem a matéria orgânica acumulada no solo ao longo dos anos, reduzindo sua capacidade de armazenar água e nutrientes, fatores fundamentais para manter a produtividade das lavouras.
Preservação ambiental e perdas econômicas
O coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Aluísio Metelo Junior, reforçou que os produtores rurais desempenham papel importante na conservação ambiental do estado.
Segundo ele, aproximadamente 62% do território mato-grossense permanece preservado, sendo que cerca de 42% dessas áreas estão localizadas dentro de propriedades particulares.
Apesar desse cenário, o militar observa que os maiores prejuízos econômicos causados pelos incêndios costumam ocorrer justamente nas áreas destinadas à produção agrícola, onde o fogo pode comprometer safras inteiras e gerar elevados custos para recuperação das propriedades.
Recuperação do solo pode levar anos
Outro ponto de atenção destacado pelo Corpo de Bombeiros é o impacto duradouro das queimadas sobre o solo.
De acordo com Metelo Junior, a perda da fertilidade causada pelas altas temperaturas pode exigir vários anos para ser recuperada, reduzindo o potencial produtivo das áreas agrícolas e aumentando significativamente os investimentos necessários para restabelecer as condições ideais de cultivo.
Por isso, especialistas defendem que a prevenção seja iniciada antes do período mais crítico da seca, por meio de planejamento, capacitação das equipes, manutenção de equipamentos e orientação dos trabalhadores para evitar qualquer uso inadequado do fogo.
Educação e prevenção são fundamentais
A Aprosoja MT destaca que campanhas educativas têm papel estratégico na disseminação de boas práticas no campo, além de manter os produtores atualizados sobre a legislação ambiental e as medidas preventivas para reduzir o risco de incêndios.
Para a entidade, evitar queimadas significa proteger o solo, preservar os investimentos realizados nas propriedades rurais e garantir a continuidade da produção agrícola de forma sustentável, fortalecendo a competitividade do agronegócio mato-grossense e contribuindo para a conservação dos recursos naturais




