escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (8), após forças americanas lançarem uma nova ofensiva contra instalações militares iranianas. A operação, conduzida pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), teve como foco reduzir a capacidade de Teerã de realizar ataques contra embarcações comerciais e militares que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das áreas mais estratégicas para o comércio internacional de petróleo.
Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, aproximadamente 90 alvos foram atingidos ao longo da costa iraniana.
Entre as estruturas atacadas estão sistemas de defesa aérea, equipamentos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, instalações navais e centros de apoio logístico utilizados pelas forças militares iranianas.
Ataques deixam mortos e feridos
Autoridades iranianas confirmaram vítimas após os bombardeios.
De acordo com Valiollah Hayati, vice-governador da província de Khuzestan, três pessoas morreram e várias ficaram feridas durante um ataque registrado nas proximidades da cidade de Ahvaz.
A ofensiva ocorre menos de 24 horas após outra série de bombardeios realizada pelos Estados Unidos. Na terça-feira (7), o Centcom informou ter atacado cerca de 80 objetivos militares, incluindo embarcações pertencentes ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Segundo a imprensa estatal iraniana, oito militares ligados à Força Aérea e à Marinha morreram durante essas ações nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr.
Washington justifica ofensiva
O governo dos Estados Unidos afirma que os ataques representam uma resposta às ações iranianas contra embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
A administração americana acusa Teerã de violar um acordo de cessar-fogo ao atingir três navios que cruzavam a região.
Ainda nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que poderá ampliar as ações militares contra bases norte-americanas localizadas no Oriente Médio.
Trump endurece discurso
Durante compromissos oficiais em Ancara, na Turquia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que considera encerrado o acordo de paz firmado anteriormente com o governo iraniano.
Em pronunciamento, afirmou que não pretende retomar negociações e indicou a possibilidade de novos ataques caso a situação se agrave.
Posteriormente, antes de um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump voltou a mencionar a continuidade das operações militares, afirmando que novas ofensivas poderão ocorrer conforme a evolução do conflito.
Irã ameaça bloquear rota estratégica
Em resposta às declarações americanas, autoridades iranianas voltaram a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz caso novos bombardeios sejam realizados.
A informação foi divulgada pela emissora estatal Press TV, citando uma fonte ligada ao sistema de segurança do país.
O governo iraniano também declarou que poderá ampliar os ataques contra instalações militares dos Estados Unidos na região, incluindo bases localizadas no Kuwait e no Bahrein.
A Guarda Revolucionária informou ter realizado ações contra instalações militares nesses dois países e advertiu que novas operações poderão ser executadas caso a ofensiva americana continue.
Corredor marítimo é vital para a economia mundial
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.
Com aproximadamente 50 quilômetros de largura, a passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico.
Antes do início do atual conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo passavam pela região, tornando qualquer interrupção na navegação um fator de preocupação para os mercados internacionais e para a segurança energética global.




