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Relatório aponta que drones russos mapearam vulnerabilidades da defesa aérea da Otan na Europa

Estudo do IISS analisou 144 incidentes em 13 países e concluiu que operações expuseram falhas na resposta conjunta da aliança militar.

🕒 Publicado em 02/07/2026 às 09:06

Uma investigação conduzida pelo International Institute for Strategic Studies (IISS), do Reino Unido, indica que a Rússia realizou uma série de operações com drones ao longo de aproximadamente 15 meses para identificar vulnerabilidades nos sistemas de defesa aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em território europeu. O levantamento aponta que as missões permitiram testar a capacidade de reação dos países da aliança diante de incursões em áreas estratégicas.

O estudo analisou 144 registros de voos de drones ocorridos entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026 em pelo menos 13 países da Europa. Segundo os pesquisadores, os equipamentos sobrevoaram instalações militares, aeroportos e outras infraestruturas consideradas críticas, muitas vezes sem enfrentar uma resposta coordenada das autoridades.

De acordo com o relatório, a ausência de integração entre os governos europeus contribuiu para que diversos episódios fossem tratados de forma isolada. Somente após a análise conjunta dos casos foi possível identificar um padrão que, segundo o instituto, indicaria uma estratégia voltada ao reconhecimento das fragilidades da estrutura defensiva da Otan.

Quase metade dos incidentes ocorreu em bases militares, enquanto cerca de 18% envolveram aeroportos civis. Em alguns casos, operações aeroportuárias precisaram ser interrompidas temporariamente em cidades como Bruxelas, Copenhague, Munique, Oslo e Vilnius. Também foram registrados voos próximos a portos, usinas e complexos industriais.

Entre os episódios considerados mais sensíveis pelo estudo estão incursões sobre bases que armazenam armamentos nucleares da Otan, como Kleine-Brogel, na Bélgica, e Volkel, na Holanda. No Reino Unido, drones foram identificados nas proximidades de instalações da Royal Air Force, incluindo as bases de Lakenheath e Mildenhall.

Na França, um dos casos de maior repercussão envolveu o sobrevoo da base de submarinos nucleares de Île Longue, na região da Bretanha, considerada uma das estruturas militares mais estratégicas do país.

O relatório também afirma que parte dos drones teria sido lançada a partir de embarcações ligadas à chamada “frota fantasma” russa, utilizada para contornar restrições internacionais. Em um dos episódios analisados, um drone foi interceptado nas proximidades do porta-aviões francês Charles de Gaulle.

Para os especialistas do IISS, o principal ponto de preocupação não está apenas na quantidade de incursões, mas na falta de uma resposta conjunta da Otan. O documento afirma que, embora governos europeus atribuíssem reservadamente os voos à Rússia, não houve uma estratégia integrada de enfrentamento durante o período analisado.

Os pesquisadores avaliam ainda que os atuais sistemas de defesa aérea da Europa foram concebidos principalmente para enfrentar ameaças convencionais, como aeronaves militares e mísseis, apresentando limitações diante de drones de pequeno porte, que são mais difíceis de detectar e interceptar.

O estudo conclui que a combinação entre limitações tecnológicas, obstáculos legais e demora na coordenação política permitiu que Moscou testasse continuamente a capacidade defensiva da aliança militar, identificando vulnerabilidades sem provocar uma reação de maior escala.

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