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Suspensão preventiva da vacina contra dengue do Butantan mobiliza investigação nacional

Ministério da Saúde interrompe temporariamente aplicação do imunizante após registro de eventos adversos graves e reforça monitoramento dos vacinados

🕒 Publicado em 09/06/2026 às 08:48

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a interrupção temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após a identificação de 42 casos de reações adversas consideradas mais severas entre os vacinados, incluindo três hospitalizações e dois óbitos que agora serão alvo de investigação detalhada.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não existe comprovação de que os casos tenham sido provocados pela vacina. No entanto, os episódios foram considerados suficientes para justificar a suspensão cautelar da estratégia de imunização enquanto especialistas aprofundam as análises.

Segundo o governo federal, a investigação será conduzida em conjunto pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Butantan. O objetivo é identificar possíveis fatores de risco associados aos pacientes que apresentaram complicações, por meio de estudos específicos que avaliem histórico clínico, doenças preexistentes, condições individuais e outras possíveis causas.

Padilha ressaltou que a decisão não representa perda de confiança na instituição responsável pelo desenvolvimento da vacina e reafirmou a importância da imunização como ferramenta fundamental no combate e prevenção de doenças.

A suspensão afeta exclusivamente a vacina produzida pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga, fabricada pela farmacêutica Takeda e atualmente utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo aplicada normalmente.

Desde sua incorporação ao SUS, em janeiro deste ano, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram administradas em diferentes regiões do país. O imunizante vinha sendo utilizado em projetos-piloto nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de uma ação específica realizada na região de Araguaína (TO).

A estratégia contemplava adolescentes e adultos entre 15 e 59 anos, público aprovado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Posteriormente, a vacinação também foi ampliada para profissionais da Atenção Primária à Saúde, grupo no qual foram registrados os casos graves que motivaram a suspensão.

O Ministério da Saúde destacou que a interrupção temporária não invalida os resultados de eficácia apresentados pela vacina nem elimina a proteção já adquirida pelas pessoas imunizadas. A medida busca apenas ampliar a segurança do processo enquanto novos estudos são conduzidos.

Dados da farmacovigilância apontam que, entre os mais de 500 mil vacinados, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a cerca de 0,7% do total. Desses casos, 42 desenvolveram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, correspondendo a aproximadamente 0,008% dos imunizados.

Entre os episódios mais graves analisados pelas autoridades sanitárias, uma mulher de 39 anos apresentou quadro severo da doença, necessitou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e posteriormente recebeu alta médica. Outros dois pacientes, uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos, evoluíram para formas graves da doença e morreram.

Os casos foram avaliados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendaram a suspensão preventiva da vacinação.

Como medida adicional de segurança, o Ministério da Saúde informou que realizará acompanhamento especial dos indivíduos vacinados nos últimos 21 dias. A orientação é procurar atendimento médico imediato diante de sintomas como febre persistente, dores abdominais intensas, vômitos frequentes, tonturas, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou agravamento do estado geral.

Em nota oficial, o Instituto Butantan afirmou que a interrupção é temporária e faz parte de uma reavaliação da estratégia vacinal. A instituição reiterou que continuará colaborando com as investigações para garantir total segurança à população antes de uma eventual retomada da campanha.

O instituto também destacou que estudos científicos publicados internacionalmente apontaram eficácia global de 79,6% da vacina contra a dengue e proteção de 89% contra formas graves da doença. Além disso, informou que o monitoramento realizado nos municípios participantes das campanhas de vacinação em massa não havia registrado eventos adversos relevantes até então.

**Informações via Agência Brasil

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