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Aliado do líder supremo do Irã condiciona acordo com EUA à liberação de bilhões em ativos congelados

Conselheiro militar afirma que decisão depende de Donald Trump e alerta para riscos de escalada regional caso negociações fracassem

🕒 Publicado em 05/06/2026 às 14:49

As negociações entre Irã e Estados Unidos enfrentam um momento decisivo. Um dos principais conselheiros do líder supremo iraniano afirmou que o avanço de um possível acordo entre os dois países depende da autorização americana para liberar US$ 24 bilhões em recursos iranianos atualmente bloqueados no exterior.

A declaração foi feita por Mohsen Rezaei, influente integrante do círculo de segurança da República Islâmica e assessor militar do aiatolá Mojtaba Khamenei. Em entrevista à CNN, ele afirmou que cabe ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destravar as conversações e criar condições para a retomada do diálogo.

Segundo Rezaei, o governo iraniano considera a liberação dos recursos uma demonstração essencial de confiança entre as partes. A proposta prevê o desbloqueio inicial de US$ 12 bilhões após a assinatura de um acordo provisório, seguido pela liberação de outros US$ 12 bilhões em uma etapa posterior.

Do lado americano, entretanto, existe preocupação de que a retirada das restrições financeiras reduza um dos principais instrumentos de pressão utilizados nas negociações com Teerã.

Trump tem defendido um entendimento mais abrangente do que o acordo nuclear firmado em 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram durante seu primeiro mandato. O presidente americano também já criticou publicamente a transferência de recursos ao governo iraniano em negociações anteriores.

Alerta sobre nova escalada militar

Durante a entrevista, Rezaei também fez um alerta sobre as consequências de uma eventual retomada do conflito entre os dois países. Segundo ele, caso haja novos confrontos, o Irã poderá ampliar o alcance das operações militares para áreas estratégicas além do Golfo Pérsico.

Entre as regiões mencionadas estão o Oceano Índico, o Estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. O conselheiro afirmou ainda que bases militares americanas poderão voltar a ser alvos caso o cenário de guerra seja retomado.

Apesar do tom firme, ele avaliou que a possibilidade de um novo conflito em larga escala permanece reduzida neste momento.

Estreito de Ormuz segue no centro das atenções

Outro tema abordado por Rezaei foi o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

O assessor afirmou que Irã e Omã possuem soberania sobre a região e defendeu uma administração conjunta da passagem marítima. Segundo ele, a cobrança de taxas relacionadas ao tráfego de embarcações seria uma forma de custear a manutenção e gestão da área estratégica.

Ceticismo sobre acordo duradouro

Mesmo defendendo a continuidade das negociações, Rezaei demonstrou cautela em relação à possibilidade de um acordo definitivo entre Teerã e Washington.

O conselheiro lembrou a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 e afirmou que ainda existem dúvidas dentro do governo iraniano sobre a estabilidade de eventuais compromissos firmados pela atual administração americana.

Ele também descartou a possibilidade de um encontro entre Donald Trump e o líder supremo iraniano no atual estágio das negociações, argumentando que o processo diplomático permanece travado.

Ao comentar o cenário militar, Rezaei declarou que o Irã estaria preparado para enfrentar uma eventual invasão estrangeira e afirmou que a capacidade terrestre do país seria superior ao poder demonstrado por seu arsenal de mísseis.

As declarações refletem o momento de tensão e incerteza que cerca as relações entre Irã e Estados Unidos, enquanto a comunidade internacional acompanha os esforços para evitar uma nova escalada de instabilidade no Oriente Médio.

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