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Brasil fortalece relações com países africanos e amplia cooperação em comércio, ciência e educação

No Dia da África, governo intensifica agenda diplomática e aposta em parcerias estratégicas com o continente

🕒 Publicado em 25/05/2026 às 13:28

O governo brasileiro vem ampliando a aproximação com países africanos em diversas áreas estratégicas, reforçando acordos diplomáticos, comerciais, científicos e culturais. A movimentação ganha destaque neste 25 de maio, data em que é celebrado o Dia da África, e faz parte da política externa adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para diversificar relações internacionais e fortalecer cooperações Sul-Sul.

Desde o início do atual mandato, Lula realizou sete viagens oficiais ao continente africano, passando por países como África do Sul, Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. Paralelamente, o Brasil também recebeu chefes de Estado africanos em Brasília para assinatura de acordos e memorandos de entendimento.

As parcerias firmadas envolvem setores como agricultura, saúde, educação, defesa, turismo, ciência, tecnologia e aviação civil.

A aproximação ocorre em um cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo econômico de países desenvolvidos. Segundo o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, a África representa um mercado estratégico devido ao potencial econômico, crescimento populacional e perfil jovem da população.

O continente possui cerca de 1,5 bilhão de habitantes e mais de 60% da população tem menos de 25 anos, fator apontado como importante para futuras oportunidades econômicas e comerciais.

As relações entre Brasil e África possuem raízes históricas profundas. O Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados entre os séculos 16 e 19, com cerca de 4,8 milhões de pessoas trazidas à força durante o período colonial.

Além dos laços históricos, o governo brasileiro vem buscando ampliar cooperação cultural e acadêmica com países africanos. Em abril deste ano, Brasil e Angola assinaram acordos voltados à integração de arquivos históricos relacionados à escravidão, além de iniciativas culturais e artísticas.

Nesta segunda-feira (25), o Itamaraty realiza seminários e encontros institucionais em celebração ao Dia da África. O presidente Lula também participa do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, organizado pelo Ministério da Educação (MEC), com foco na ampliação da cooperação universitária.

Durante cerimônia em Brasília, o embaixador de Camarões e decano do corpo diplomático africano no Brasil, Martin Agbor Mbeng, destacou o papel de instituições brasileiras como Fiocruz, Embrapa, CNPq e Instituto Brasil-África na construção de projetos conjuntos com países africanos.

O diplomata defendeu uma relação baseada em planejamento compartilhado e cooperação mútua, em vez de ações unilaterais voltadas ao continente.

Apesar da aproximação política, os números do comércio exterior ainda mostram participação reduzida da África na balança comercial brasileira. Em 2025, o continente representou 5,7% do fluxo comercial do Brasil, movimentando cerca de US$ 23,7 bilhões.

Mesmo assim, o comércio bilateral cresceu mais de 50% desde 2020, impulsionado por iniciativas diplomáticas e pela retomada da agenda internacional brasileira com os países africanos.

Na área científica, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou o relançamento do Programa ProÁfrica, iniciativa coordenada pelo CNPq que prevê investimentos de R$ 25 milhões em projetos de cooperação científica e tecnológica entre Brasil e países africanos.

Os investimentos serão direcionados a áreas como agricultura, sustentabilidade, energia, saúde, alimentação e meio ambiente.

Especialistas defendem que o Brasil pode desempenhar papel relevante no desenvolvimento de soluções tecnológicas para desafios enfrentados pelo continente africano, principalmente nas áreas de segurança alimentar e mudanças climáticas.

**Informações via Agência Brasil

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