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Terminal do CPA III segue fechado e sem previsão de conclusão após mais de um ano de paralisação

Obra paralisada desde 2024 deixa comerciantes, usuários e motoristas em situação precária, enquanto Prefeitura de Cuiabá propõe concessão comercial para retomada das atividades

🕒 Publicado em 12/10/2025 às 10:24

O Terminal do CPA III, em Cuiabá, permanece fechado há quase um ano e meio desde o início da reforma, sem qualquer previsão de conclusão. As obras foram interrompidas após determinação do prefeito Abílio Brunini, que suspendeu os contratos em andamento. A decisão impactou diretamente a rotina de comerciantes, usuários do transporte público e motoristas, que passaram a utilizar um espaço improvisado na rua lateral ao terminal, próximo à Lagoa Encantada, para embarque e desembarque de passageiros.

Desde a paralisação, não houve novas informações oficiais sobre a retomada das obras. Questionada, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) não apresentou posicionamento sobre prazos ou possíveis soluções.

Entre os mais afetados estão os comerciantes que atuavam dentro do terminal. Uma vendedora ambulante, com mais de dez anos de trabalho no local, relata a incerteza desde o fechamento do espaço em junho de 2024, ainda durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro. A reforma previa investimento de R$ 1,5 milhão e deveria ser finalizada em poucos meses, mas o cenário atual é de abandono.

Enquanto aguardam respostas, os trabalhadores seguem vendendo seus produtos nas calçadas e pontos de ônibus ao redor do terminal, enfrentando sol, chuva e falta de estrutura mínima. “A gente trabalha aqui fora o dia todo, sem sombra nem banheiro. O único que existe é improvisado, dentro da obra, e só pode ser usado até as 17h”, relata uma das vendedoras.

Com a chegada do período chuvoso, a apreensão aumenta. Os ambulantes afirmam que não receberam nenhuma orientação sobre o futuro da ocupação. “Ninguém sabe de nada. Não sabemos se poderemos voltar, se vai ter cadastro ou se vamos ser proibidos de trabalhar lá dentro novamente”, desabafa uma comerciante que criou os filhos com a renda obtida no terminal.

As cobranças pela conclusão da obra também partiram da Câmara Municipal. A vereadora Paula Calil (PL), presidente da Casa, cobrou publicamente a retomada dos serviços e denunciou a falta de iluminação e segurança na região, o que levou a Prefeitura a instalar refletores temporários no entorno.

Diante da pressão, o prefeito Abílio Brunini apresentou uma proposta de chamamento público para empresas interessadas em atuar no espaço, sob a condição de assumir a manutenção, limpeza e organização do terminal. Ele afirmou que a medida não representa uma privatização, mas uma concessão de uso comercial.

“Estamos avaliando a possibilidade de empresas assumirem a operação dos terminais, com a obrigação de manter o local limpo, os banheiros em bom estado e o espaço organizado. A Prefeitura conclui a obra, e o parceiro investe em mobiliário urbano”, explicou Brunini.

Apesar da proposta, o terminal segue fechado, sem obras em andamento e sem data de reabertura definida. Enquanto isso, cerca de 30 mil pessoas que utilizam diariamente o transporte público na região continuam enfrentando transtornos e falta de estrutura adequada.

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