Da Redação / acaradopovo.com.br
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara de Cuiabá, vereadora Maria Avallone (PSDB), anunciou que será realizada no dia 11 de junho uma audiência pública para tratar do fechamento das salas de acolhimento às mulheres vítimas de violência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A medida está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).
O encontro está agendado para as 15h e contará com a presença das secretárias Lúcia Helena Barbosa (Saúde), Hadassah Suzannah (Mulher), Hélida Vivela (Assistência Social) e da promotora Cláudia dos Santos Garcia, responsável por denunciar o encerramento dos atendimentos nas unidades de saúde.
“Solicitei essa audiência porque estamos diante de uma situação grave. Mulheres continuam sendo vítimas de violência, e não podemos aceitar o retrocesso na rede de acolhimento. Centralizar esse serviço no HMC dificulta o acesso e compromete o atendimento”, afirmou a vereadora.
Maria Avallone defende que o ideal seria a expansão dos espaços de acolhimento para diferentes regiões da cidade, em vez de concentrar o atendimento exclusivamente no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Segundo ela, a descentralização garante mais acesso às mulheres que enfrentam barreiras para se locomover.
Denúncias e justificativas
O Ministério Público instaurou procedimento investigativo após relatos sobre o encerramento de duas unidades de acolhimento nas UPAs. Segundo o órgão, essa mudança levou à concentração dos atendimentos no HMC, o que pode comprometer o suporte às vítimas, especialmente diante do número alarmante de casos: somente em 2024, já foram registradas 11.653 ocorrências de violência doméstica e familiar na capital.
Em resposta, a Prefeitura de Cuiabá afirmou que o atendimento especializado continua funcionando 24 horas no HMC, e que a mudança ocorreu após uma reestruturação necessária nos serviços. A gestão municipal alegou que o Ministério da Saúde exigiu a liberação de áreas que comprometiam o fluxo de ambulâncias nas UPAs, o que poderia impactar repasses federais.
A nota da Prefeitura também menciona que os prontuários foram transferidos com segurança para novos profissionais treinados, e que equipes multiprofissionais e unidades básicas de saúde estão sendo integradas ao atendimento, com o objetivo de descentralizar futuramente o acolhimento.




