O governo do ex-presidente Donald Trump deu início nesta sexta-feira (11) a uma ampla onda de demissões no Departamento de Estado dos EUA, anunciando o desligamento de 1.353 pessoas — entre elas, 1.107 funcionários civis e 246 integrantes do serviço diplomático baseados no território norte-americano.
A medida vem logo após a Suprema Corte dos Estados Unidos revogar uma liminar que impedia o prosseguimento de planos de cortes em agências federais, liberando o Executivo para implementar sua controversa política de reestruturação.
Segundo nota interna do Departamento, as demissões fazem parte de um processo de “otimização operacional” e atingem funções classificadas como “não essenciais”, bem como departamentos com sobreposição de atribuições. A intenção, afirma o documento, é alinhar a estrutura administrativa às prioridades estratégicas da política externa americana.
Embora a redução imediata envolva pouco mais de 1.300 desligamentos, o plano total prevê a diminuição de até 3.000 postos, considerando também saídas voluntárias, o que representa cerca de 17% da força de trabalho do órgão, que conta com aproximadamente 18 mil funcionários.
O Departamento de Estado norte-americano, que acumula funções que no Brasil são divididas entre o Itamaraty e órgãos como a Polícia Federal, como emissão de passaportes e vistos, ainda não detalhou como os cortes afetarão os serviços ao público.
A promessa de reduzir o tamanho do funcionalismo federal era uma das bandeiras centrais da campanha de Trump. Desde seu retorno à presidência, o republicano intensificou a agenda de reformas administrativas. Já em fevereiro, ele assinou um decreto exigindo que todas as agências federais elaborassem planos para cortes profundos de pessoal e extinção de programas considerados “desnecessários”.
No mesmo mês, Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para liderar a reformulação do corpo diplomático e garantir que a política externa dos EUA reflita fielmente a doutrina “América em Primeiro Lugar”.
A decisão, no entanto, não passou despercebida. Mais de 130 diplomatas aposentados e ex-dirigentes da área internacional assinaram uma carta aberta condenando as demissões, alegando que o esvaziamento do serviço exterior ameaça a capacidade dos EUA de agir com eficácia no cenário global.
Parlamentares também reagiram. O senador democrata Tim Kaine classificou os cortes como “absurdos” diante de um cenário internacional instável. “Enquanto a China amplia sua presença diplomática global, a Rússia continua seu ataque prolongado à Ucrânia e o Oriente Médio enfrenta crises sucessivas, Trump e Rubio optam por enfraquecer a diplomacia americana”, criticou Kaine.
A reestruturação deveria estar em fase final até o início de julho, mas foi adiada devido às disputas judiciais que cercavam sua legalidade. Com a liberação da Suprema Corte, a máquina de cortes agora entra em ação.




