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Trump dobra tarifas sobre aço e alumínio; medida atinge diretamente o Brasil

Tarifa sobe de 25% para 50% e já entra em vigor nesta quarta (04.06); decisão visa proteger a indústria americana.

🕒 Publicado em 03/06/2025 às 21:05

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (03.06) um decreto que eleva de forma significativa as tarifas de importação sobre aço, alumínio e seus derivados, passando de 25% para 50%. A nova taxa começa a valer já nesta quarta-feira (04.06), com impacto direto sobre os principais países exportadores para o mercado norte-americano, incluindo o Brasil.

A justificativa apresentada pelo governo norte-americano é a proteção da segurança nacional e o fortalecimento da indústria local. A única exceção será o Reino Unido, que fechou recentemente um acordo comercial com os EUA e continuará sujeito à tarifa anterior de 25%.

A medida confirma o anúncio feito por Trump na última sexta-feira (30.05), quando sinalizou a intenção de dobrar as tarifas como parte de uma política econômica voltada à valorização da produção interna. O decreto também se insere em um contexto de pressão negociadora com os países afetados, cujas tarifas haviam sido parcialmente suspensas, mas devem retornar integralmente a partir de 8 de julho.

Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem adotado uma postura protecionista em relação ao comércio internacional, impondo diversas barreiras tarifárias. A medida atual impacta fortemente o Brasil, segundo maior exportador de aço aos Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Em 2024, o Brasil enviou 4,1 milhões de toneladas de aço para o país.

Segundo especialistas, a nova tarifa deverá reduzir as exportações brasileiras, forçando empresas a redirecionar suas vendas para outros mercados ou a enfrentar uma possível sobreoferta no mercado interno. Isso pode pressionar os preços e as margens de lucro, além de comprometer empregos em setores como siderurgia, mineração e transporte.

Empresas brasileiras com foco no mercado externo, como ArcelorMittal e Ternium, devem ser as mais afetadas. Já companhias como Gerdau, Usiminas e CSN, com operações mais voltadas ao mercado interno, tendem a sentir impactos menores.

O Instituto Aço Brasil, que representa o setor, ainda não se manifestou sobre a nova decisão. Em março, quando as tarifas de 25% foram retomadas, a entidade declarou surpresa e afirmou acreditar em uma reabertura do diálogo com o governo dos EUA.

Atualmente, os EUA importam cerca de 25% do aço e 50% do alumínio consumidos no país, sendo grandes consumidores desses insumos para indústrias automobilística, de eletrodomésticos, eletrônicos e construção civil.

A expectativa, segundo analistas, é que o Brasil busque alternativas para mitigar os prejuízos, seja diversificando mercados — apesar da concorrência com grandes exportadores como a China — ou aumentando o consumo interno, o que pode não ser suficiente no curto prazo.

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