O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou nesta quinta-feira (25) a decisão da Austrália de flexibilizar as regras de importação para carne bovina americana. A medida, anunciada na quarta-feira (24) por Camberra, removeu algumas das restrições impostas desde 2003 por razões de biossegurança, principalmente relacionadas à doença da vaca louca (BSE).
“Vamos vender muita carne para a Austrália, porque isso prova que a carne bovina americana é a melhor e mais segura do mundo”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social. Ele ainda fez um aviso a outros países:
“Os que recusam nossa magnífica carne bovina estão AVISADOS”.
Apesar do tom de vitória, analistas e autoridades do setor destacam que a mudança não deve provocar um aumento expressivo nas exportações americanas, já que a Austrália é uma das maiores produtoras e exportadoras globais de carne bovina, com preços internos significativamente mais competitivos.
Mudança técnica, não comercial, diz Austrália
A decisão australiana foi resultado de uma longa análise dos sistemas de rastreabilidade do gado norte-americano. Até então, apenas carne de animais nascidos, criados e abatidos nos EUA era permitida — exigência que limitava o número de fornecedores. A nova regra permite agora a entrada de carne de bovinos que tenham origem também no Canadá ou no México, desde que abatidos nos EUA.
O Ministério da Agricultura da Austrália negou qualquer relação da flexibilização com negociações comerciais em curso.
“Foi uma avaliação técnica e independente, baseada em critérios de biossegurança”, afirmou a pasta.
Reações e tensões políticas
A decisão, no entanto, gerou críticas internas. O deputado David Littleproud, da oposição australiana, questionou se o governo de Anthony Albanese estaria abrindo mão dos rígidos padrões sanitários do país para agradar Trump.
“A biossegurança é um pilar do nosso setor agrícola. Precisamos de garantias de que isso não está sendo politizado”, alertou.
Já o ministro do Comércio australiano, Don Farrell, negou qualquer acordo político ou tentativa de aproximação comercial.
“Não fizemos isso para atrair os americanos para um tratado”, disse.
Balança comercial desfavorável e tarifas em pauta
Atualmente, os Estados Unidos exportam muito pouco para a Austrália em termos de carne bovina — apenas 269 toneladas em 2023, segundo dados oficiais. Em contrapartida, a Austrália enviou quase 400 mil toneladas ao mercado americano no mesmo período, movimentando cerca de US$ 2,9 bilhões.
Apesar de ser um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a Austrália enfrenta tarifas de 10% em geral, além de taxas extras sobre aço, alumínio e possíveis tarifas de até 200% sobre produtos farmacêuticos, segundo ameaças já feitas por Trump.




