A dimensão da tragédia ainda pode aumentar. Segundo informações divulgadas pelas autoridades dos dois países, 4.462 pessoas continuam desaparecidas, sendo 3.916 no Nepal e outras 546 no Tibete, região autônoma da China.
O desastre teve início após o colapso de uma geleira nas proximidades da fronteira. A movimentação de uma enorme quantidade de gelo desencadeou uma avalanche acompanhada por uma forte onda de água congelada, lama e detritos. A força do fenômeno atingiu áreas habitadas e provocou destruição em diferentes pontos da região.
No Nepal, as equipes de emergência concentram parte dos esforços em um complexo de usinas hidrelétricas. Centenas de trabalhadores ficaram presos em túneis e estruturas atingidas pelo desastre, aumentando a preocupação das autoridades com a possibilidade de encontrar sobreviventes.
Milhares de pessoas ainda são procuradas
Entre os desaparecidos no Nepal estão 583 estrangeiros de mais de 30 nacionalidades. No Tibete, as autoridades informaram que 261 estrangeiros, de 23 países, também permanecem sem localização.
Cidadãos indianos estão entre os grupos mais numerosos de estrangeiros desaparecidos. De acordo com informações divulgadas pelo governo da Índia, 275 cidadãos do país não foram localizados no Nepal, além de outras 128 pessoas de origem indiana que também estão sendo procuradas.
Os Estados Unidos informaram que 85 cidadãos americanos continuam desaparecidos. Também há registros de 62 ucranianos, 51 malaios, 42 australianos e 33 britânicos entre as pessoas que ainda não foram encontradas.
A dimensão internacional da tragédia levou diferentes governos a acompanhar diretamente as operações e a buscar informações sobre seus cidadãos.
Corpos também são encontrados na Índia
Os efeitos da catástrofe ultrapassaram a área imediatamente atingida pela avalanche. No estado indiano de Uttar Pradesh, autoridades informaram ter recuperado 17 corpos em rios, que podem estar relacionados ao desastre.
Os cadáveres ainda passam por procedimentos de identificação e, por isso, não foram incorporados ao balanço oficial de mortos divulgado pelo Nepal e pela China.
Mudanças climáticas entram no debate
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou o episódio como um acontecimento excepcional e relacionou a ocorrência às mudanças climáticas. Para o governo nepalês, a dimensão da tragédia reforça a necessidade de ações internacionais voltadas à prevenção de eventos extremos.
A relação entre o aquecimento global e o comportamento das geleiras tem sido motivo de preocupação entre pesquisadores. O aumento das temperaturas vem acelerando o derretimento de grandes massas de gelo em diversas regiões do planeta, incluindo o Himalaia.
Embora as causas específicas que levaram ao colapso da geleira ainda estejam sendo analisadas, especialistas alertam que o aumento das temperaturas pode contribuir para modificar a estabilidade dessas estruturas naturais e elevar os riscos de desastres.
Considerado o maior sistema montanhoso do planeta, o Himalaia vem apresentando sinais de perda acelerada de gelo. O cenário amplia a preocupação de comunidades que vivem próximas a encostas, rios e áreas de grande altitude.
Enquanto as autoridades avaliam os danos, as equipes de emergência continuam trabalhando em condições difíceis para localizar desaparecidos, retirar vítimas e verificar estruturas atingidas. O número definitivo de mortos dependerá do avanço das buscas e da identificação das pessoas que ainda não foram localizadas.




