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TJMT mantém afastamento de vereador Chico 2000 por suposto envolvimento em esquema de propina

Decisão unânime da Quarta Câmara Criminal confirma suspensão de 180 dias no contexto da Operação Perfídia, que investiga favorecimento à empresa HB20 Construções

🕒 Publicado em 04/06/2025 às 07:07

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Quarta Câmara Criminal, decidiu de forma unânime manter o afastamento do vereador Chico 2000 (PL) por um período de 180 dias. A medida está relacionada à Operação Perfídia, que apura um possível esquema de recebimento de propina para aprovação de projeto legislativo que teria beneficiado a construtora HB20.

Durante a sessão, o relator do processo, desembargador Juvenal Pereira da Silva, sustentou que o recurso da defesa visava discutir o mérito da investigação — o que, segundo ele, não exige a conclusão do inquérito policial para justificar o afastamento do parlamentar. Os desembargadores Lídio Modesto Filho e Hélio Nishiyama acompanharam o voto do relator.

A defesa de Chico 2000 alegou que os fatos investigados não têm conexão com o atual mandato, argumentando ausência de contemporaneidade e alegando que sua permanência no cargo não influenciaria o andamento das investigações. Apesar disso, o afastamento foi mantido, e os advogados do vereador avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o Ministério Público, Chico 2000, à época presidente da Câmara Municipal de Cuiabá em 2023, teria autorizado o vereador Sargento Joelson (PSB) a negociar um suposto pagamento de R$ 250 mil em troca da aprovação de um projeto que permitiu a renegociação de dívidas da prefeitura. Essa renegociação foi necessária para a obtenção de certidões negativas e liberação de verbas, beneficiando diretamente empresas como a HB20 Construções, responsável pelas obras do Contorno Leste.

Elementos reunidos pela investigação incluem trocas de mensagens e gravações entre Joelson e um representante da empresa, que indicariam o conhecimento e a anuência de Chico 2000 nas negociações. Além disso, foi identificada uma transferência via PIX no valor de R$ 150 mil para José Márcio da Silva Cunha, supostamente indicado por Joelson para receber parte do montante acordado.

Um dos trechos transcritos dos áudios evidencia a tensão entre os envolvidos:
“O presidente Chico, um dia participou e deu o aval, cara. Agora você fica mandando terceiros aqui? Não está resolvido nosso trem? Nós resolvemos a parte sua, e você está terminando de resolver a parte nossa. Então está tudo certo. Não tem que ficar mandando ninguém aqui, não, pô!”

A Operação Perfídia segue em andamento, e o caso ainda pode ter desdobramentos no STJ, conforme análise da equipe de defesa do parlamentar.

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