Em um momento delicado de negociações por um cessar-fogo com a Ucrânia, a Rússia divulgou nesta sexta-feira (25) imagens de uma operação militar de grande escala, como forma de demonstrar sua capacidade bélica global.
Os exercícios, que envolvem mais de 150 embarcações, entre elas submarinos com propulsão nuclear, além de 120 aeronaves, 10 sistemas de mísseis terrestres e cerca de 15 mil militares, ocorrem em três frentes navais: no Oceano Pacífico, no Mar de Barents (próximo ao Ártico) e no Mar Báltico, ao norte da Europa.

Segundo o Ministério da Defesa russo, o treinamento com fogo real de artilharia e lançamentos de mísseis está programado para se estender até domingo (27). A operação foi divulgada junto com um vídeo oficial, onde aparecem embarcações abrindo fogo e aviões em manobras coordenadas — uma clara exibição de força em meio à tensão internacional.
Cúpula de paz adiada
Enquanto o arsenal russo é testado em alto-mar, diplomatas russos e ucranianos estão reunidos na Turquia para tentar avançar em uma nova rodada de negociações. Este é o quarto encontro em três meses, mas ainda há pouco progresso real rumo a um acordo de paz.
O Kremlin afirmou nesta sexta que o presidente Vladimir Putin só aceitará se encontrar com Volodymyr Zelensky caso haja uma proposta concreta e quase finalizada. Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, a ideia de uma cúpula até o fim de agosto — defendida pela Ucrânia — é “altamente improvável”.
“A reunião de líderes só pode ocorrer para assinar e selar um acordo previamente estabelecido. Não se chega a esse estágio da noite para o dia. Levará tempo e um esforço diplomático considerável”, disse Peskov.
Exigências continuam incompatíveis
As demandas de cada lado seguem em pontos opostos. A Rússia quer que a Ucrânia reconheça a anexação de quatro regiões ocupadas e da Crimeia, além de desistir da sua intenção de aderir à OTAN. Por sua vez, Kiev insiste na retirada completa das tropas russas, incluindo da Crimeia, e exige garantias de segurança do Ocidente, como fornecimento contínuo de armas e presença militar europeia em seu território — exigências que Moscou considera inaceitáveis.
Apesar do impasse, o Kremlin afirma manter disposição para negociar. A fala veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, dar um prazo de 50 dias para que a Rússia avance rumo à paz, colocando mais pressão internacional sobre o conflito que já dura mais de dois anos e meio.




