O vereador licenciado Chico 2000, do Partido Liberal (PL), é alvo de uma nova investigação da Polícia Federal por possível envolvimento em crime eleitoral nas eleições municipais de 2024. A ação faz parte da Operação Rescaldo, deflagrada nesta semana, que busca esclarecer denúncias de aliciamento de eleitores e oferecimento de vantagens ilícitas em troca de votos.
Os agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, que já se encontra afastado por determinação judicial no âmbito da Operação Perfídia — investigação anterior que apura um esquema de corrupção ligado à aprovação de projetos de interesse da empresa HB 20 Construções.
Segundo a Polícia Federal, a investigação atual foi iniciada após o recebimento de uma denúncia formal relatando que um candidato, do mesmo partido de outro concorrente, estaria abordando seus eleitores oferecendo benefícios em troca de apoio nas urnas.
Além da medida contra Chico 2000, outro mandado foi cumprido em uma residência no bairro Água Vermelha, em Várzea Grande. As diligências visam reunir provas que fortaleçam o processo investigativo.
Se confirmadas as acusações, os envolvidos poderão responder por crimes como captação ilícita de sufrágio e difamação eleitoral, cujas penas podem alcançar até cinco anos de prisão.
Operação Perfídia: corrupção e propina
Paralelamente à nova operação, Chico 2000 também é um dos principais investigados na Operação Perfídia, conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor). A ação foi deflagrada em abril e teve como alvos o próprio vereador e o colega Sargento Joelson (PSB), suspeitos de cobrar propina para aprovar projetos que beneficiariam a construtora HB 20.
Mandados de busca foram cumpridos nas residências dos parlamentares e nas dependências da Câmara Municipal de Cuiabá. A investigação apura uma suposta negociação envolvendo valores ilícitos para que a empresa recebesse pagamentos pendentes da prefeitura, relacionados a obras realizadas em 2023.
Em decorrência das suspeitas, a Justiça determinou o afastamento imediato dos vereadores, que estão proibidos de acessar tanto a Câmara de Cuiabá quanto as instalações da empresa investigada e seus canteiros de obras.
Com as suspensões, os suplentes Gustavo Padilha (PSB) e Rafael Yonekubo (PL) assumiram temporariamente as cadeiras legislativas.
Tentativa de investigação interna foi arquivada
Um pedido de abertura de Comissão Processante contra Chico 2000 chegou a ser apresentado à Câmara Municipal por Julier Sebastião, advogado e ex-candidato. No entanto, o pedido foi arquivado por falta de documentação oficial do inquérito, baseando-se apenas em reportagens, o que foi considerado insuficiente pelo Legislativo.
Até o momento, nenhum pedido formal de cassação foi protocolado contra o vereador Sargento Joelson.




