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Pesquisa revela que 31% dos brasileiros fariam cirurgia plástica se o procedimento fosse gratuito

Levantamento do Datafolha mostra maior interesse entre as mulheres e reforça o debate sobre autoestima, padrões de beleza e os cuidados necessários antes de uma intervenção estética.

🕒 Publicado em 27/10/2026 às 09:11

Uma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) ao Datafolha revela que quase um terço dos brasileiros com 16 anos ou mais considera realizar uma cirurgia plástica caso tivesse acesso gratuito ao procedimento. O levantamento aponta que 31% da população demonstra algum nível de interesse, sendo que 19% afirmaram ter algum interesse e 12% disseram ter muito interesse.

O estudo ouviu 2.086 pessoas e identificou uma diferença significativa entre homens e mulheres quando o assunto é a busca por mudanças na aparência. Entre o público feminino, 41% manifestaram algum ou muito interesse em realizar uma cirurgia plástica. Já entre os homens, o índice foi de 22%.

Mulheres representam a maioria dos pacientes

A maior disposição das mulheres em realizar procedimentos estéticos também aparece nos dados sobre cirurgias efetivamente realizadas. De acordo com outro levantamento do Datafolha, feito com cirurgiões plásticos, elas representaram 88% dos pacientes submetidos a cirurgias plásticas estéticas de médio e grande porte no ano passado.

Os números ajudam a ampliar a discussão sobre a influência dos padrões de beleza, a percepção da própria imagem e a relação entre aparência e autoestima. Nesse cenário, especialistas alertam que a decisão de passar por uma cirurgia deve ser acompanhada de uma reflexão sobre as motivações pessoais e as expectativas em relação aos resultados.

Expectativas precisam ser avaliadas

O psiquiatra e psicoterapeuta Arthur Kaufman, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destaca a importância de distinguir o desejo de melhorar a autoestima da expectativa de solucionar dificuldades emocionais por meio de mudanças físicas.

Uma das condições que merecem atenção é a dismorfia corporal, transtorno em que a pessoa apresenta uma preocupação intensa com características da própria aparência que podem ser pouco perceptíveis ou não ser consideradas defeitos por outras pessoas.

Segundo Kaufman, indivíduos com esse quadro podem buscar sucessivos procedimentos estéticos sem alcançar a satisfação desejada. Por isso, identificar possíveis sinais de sofrimento emocional é importante antes de uma intervenção.

O especialista também chama a atenção para os riscos de expectativas irreais, especialmente quando o paciente se encontra em uma situação de vulnerabilidade emocional. A avaliação profissional contribui para compreender as razões que motivam a cirurgia e verificar se os resultados esperados são compatíveis com as possibilidades do procedimento.

Escolha do profissional é fundamental

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o cirurgião plástico Marcelo Sampaio, reforça que procedimentos cirúrgicos não oferecem soluções milagrosas. A orientação é procurar um profissional qualificado, que explique os resultados possíveis, esclareça os riscos e esteja preparado para lidar com eventuais complicações.

Com o interesse por mudanças estéticas e a influência dos padrões de beleza em evidência, a recomendação é evitar decisões precipitadas e desconfiar de promessas de resultados garantidos.

Antes de realizar uma cirurgia plástica, compreender as próprias motivações, alinhar as expectativas e passar por uma avaliação médica adequada são medidas essenciais para uma escolha consciente e mais segura.

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