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Geraldo Alckmin é reeleito vice-presidente e seguirá ao lado de Lula por mais quatro anos

Médico e ex-governador de São Paulo consolida aliança com antigo adversário político após mais de cinco décadas de trajetória pública.

🕒 Publicado em 26/10/2026 às 09:03

Geraldo Alckmin foi reeleito neste domingo (25) como vice-presidente da República, integrando novamente a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aos 73 anos, ele garantiu mais quatro anos no cargo e dará continuidade a uma trajetória política que começou ainda na juventude e passou por diferentes funções no Legislativo e no Executivo.

A recondução representa mais um capítulo da aproximação entre Alckmin e Lula, que já estiveram em lados opostos em disputas presidenciais. Em 2006, o então candidato do PSDB enfrentou o petista no segundo turno e acabou derrotado. Anos depois, os antigos adversários construíram uma aliança que levou ambos ao comando do país em 2023.

Da fundação do PSDB à aliança com o PT

Um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Alckmin permaneceu na legenda por mais de três décadas. Em dezembro de 2021, anunciou sua saída, afirmando que era o momento de promover mudanças e seguir um novo caminho político.

Em março de 2022, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Pouco depois, aceitou integrar a chapa presidencial de Lula como candidato a vice-presidente, numa composição que reuniu antigos adversários e ampliou a articulação política da campanha.

A vitória nas urnas levou Alckmin à Vice-Presidência da República em janeiro de 2023. Paralelamente, ele assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, passando a atuar também em pautas relacionadas à economia e à indústria nacional.

Carreira política começou no interior paulista

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu em 7 de novembro de 1952, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Médico anestesiologista e professor universitário, iniciou sua trajetória política aos 20 anos, quando foi eleito vereador de sua cidade natal, em 1972, pelo então Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Em 1977, assumiu a Prefeitura de Pindamonhangaba, onde permaneceu até 1982. Posteriormente, foi eleito deputado estadual e deputado federal por São Paulo, participando da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição Federal de 1988.

A chegada ao governo estadual ocorreu inicialmente como vice-governador, na chapa de Mário Covas, eleito em 1994 e reeleito em 1998. Em 2001, Alckmin assumiu o comando do Executivo paulista após a morte de Covas. No ano seguinte, foi eleito governador.

Em 2006, deixou o cargo para disputar a Presidência da República pelo PSDB. Ele chegou ao segundo turno, mas perdeu a eleição para Lula. Após retornar ao governo de São Paulo em 2010, conquistou um novo mandato em 2014.

Quatro anos depois, voltou a concorrer à Presidência, mas terminou a disputa na quarta colocação, sem avançar ao segundo turno. Em 2022, sua entrada na chapa de Lula marcou uma mudança significativa em sua trajetória política.

Atuação econômica e negociações com os Estados Unidos

No governo federal, Alckmin ganhou destaque em iniciativas voltadas ao desenvolvimento industrial e às relações comerciais brasileiras. Como ministro, esteve à frente da Nova Indústria Brasil, programa lançado em 2024 com o objetivo de estimular investimentos e modernizar o setor produtivo.

Ele também participou da implementação do programa Mover, direcionado à mobilidade sustentável e à redução das emissões de carbono.

Em 2025, assumiu papel relevante nas negociações com o governo dos Estados Unidos após o presidente Donald Trump anunciar tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Alckmin liderou articulações com representantes americanos e ampliou o diálogo com empresários de setores afetados pelas medidas.

A atuação reforçou sua presença nas discussões econômicas do governo, especialmente em temas relacionados ao comércio exterior e à indústria nacional.

Mais espaço na campanha pela reeleição

Durante a campanha de reeleição de Lula, Alckmin ampliou sua participação, sobretudo no segundo turno. Nos bastidores, integrantes da campanha defenderam maior presença do vice-presidente e uma redução do protagonismo da primeira-dama, Janja da Silva.

A estratégia ficou conhecida pela expressão “menos Janja e mais Alckmin”. A partir desse direcionamento, o vice-presidente intensificou viagens pelo país, participou de eventos eleitorais e concedeu entrevistas.

A intenção era aproveitar sua interlocução com empresários, representantes do mercado financeiro, lideranças religiosas e eleitores de centro para ampliar o alcance da candidatura de Lula para além de sua base tradicional de apoio.

Na reta final da disputa, Alckmin também passou a contestar propostas econômicas apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.

Família e vida pessoal

Alckmin é casado desde 1979 com a professora Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu Alckmin. O casal teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz.

Em abril de 2015, a família enfrentou a morte de Thomaz, aos 31 anos, em um acidente de helicóptero ocorrido em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Na época, Alckmin exercia seu quarto mandato como governador paulista.

Com a reeleição, o político paulista inicia uma nova etapa ao lado de Lula, mantendo a atuação tanto na Vice-Presidência quanto nas articulações ligadas ao desenvolvimento econômico e industrial do país.

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