O MT Hemocentro, principal unidade pública de hemoterapia de Mato Grosso e referência estadual no tratamento da hemofilia, acompanha atualmente 254 pacientes diagnosticados com a doença em sua sede, localizada em Cuiabá.
A estrutura é responsável por oferecer acompanhamento contínuo, exames e tratamento especializado, reunindo uma equipe multidisciplinar que atua diretamente na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Diagnóstico que transforma a rotina das famílias
A descoberta da hemofilia costuma gerar impacto emocional nas famílias, especialmente quando o diagnóstico ocorre ainda na infância. É o caso de Aline Evelly da Cruz, mãe do pequeno Daniel Lima, de 7 anos, diagnosticado com hemofilia A.
Segundo ela, os primeiros sinais surgiram ainda quando a criança engatinhava, com a presença frequente de hematomas pelo corpo.
“Levamos ao médico e, após avaliação, surgiu a suspeita da doença. Fomos encaminhados ao MT Hemocentro para exames. No início foi um choque, porque nunca tínhamos ouvido falar sobre hemofilia. Depois, fomos entendendo melhor a condição e o tratamento”, relatou.
Hoje, com acompanhamento regular, Daniel leva uma vida mais estável, realizando tratamento periódico e mantendo atividades comuns da infância, como brincar e praticar esportes leves.
Atendimento humanizado faz diferença no tratamento
O suporte oferecido pela unidade também é destacado por familiares de pacientes do interior do estado. Moradora de Mirassol d’Oeste, Alessandra Souza Dias, tia de duas crianças com hemofilia A, relata a importância do acolhimento recebido em Cuiabá.
“Quando recebemos o diagnóstico, ficamos desesperados. Mas no Hemocentro fomos muito bem atendidos desde o início. Sempre tiram nossas dúvidas e dão todo o suporte necessário”, afirmou.
Estrutura e equipe especializada
De acordo com a direção do MT Hemocentro, a unidade é referência no estado por contar com uma equipe altamente qualificada e estrutura completa para diagnóstico e tratamento da hemofilia.
O diretor Fernando Henrique Modolo destaca que o atendimento é realizado de forma integrada.
“A unidade dispõe de profissionais de diversas áreas, garantindo um tratamento completo e humanizado. O paciente realiza exames e acompanhamento no próprio local, sem necessidade de deslocamentos constantes”, explicou.
Atualmente, a equipe é formada por 38 profissionais, incluindo hematologistas, cardiologistas, ortopedistas, clínicos gerais, médicos da dor, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogo, assistente social, fisioterapeutas e nutricionista.
Entenda a hemofilia
A hemofilia é uma doença genética, ligada ao cromossomo X, sem cura, caracterizada pela deficiência na coagulação do sangue. Ela se divide em dois tipos principais: hemofilia A, causada pela deficiência do fator VIII, e hemofilia B, relacionada ao fator IX.
Na prática, pessoas com hemofilia têm dificuldade em estancar sangramentos, que podem ser mais intensos e prolongados mesmo após pequenos ferimentos.
O diagnóstico geralmente é levantado nos primeiros anos de vida, principalmente em crianças do sexo masculino, a partir de sinais como hematomas frequentes, sangramentos excessivos, dor, inchaço e limitação de movimentos.
As articulações, como joelhos, cotovelos e tornozelos, são as regiões mais afetadas quando não há controle adequado da doença. Por isso, a avaliação médica precoce é essencial para garantir tratamento adequado e prevenir complicações.




