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MP pede júri popular para PM e caseiro acusados de matar advogado em Cuiabá

Acusação detalha crime premeditado envolvendo rede de corrupção e execução por encomenda

🕒 Publicado em 25/07/2025 às 16:02

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) solicitou que o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. O pedido foi feito após audiência de instrução realizada na quarta-feira (23), quando também foi mantida a prisão preventiva dos dois réus.

Segundo as alegações finais protocoladas pelo promotor Rinaldo Segundo, o conjunto de provas é suficiente para levar os acusados a julgamento popular, com base no artigo 413 do Código de Processo Penal.

Execução planejada

O crime ocorreu em 5 de julho de 2024, em Cuiabá. De acordo com o MP, Alex Roberto foi o executor dos disparos, enquanto Heron atuou como “coordenador operacional”, responsável por fornecer o armamento e facilitar o crime, atuando dentro de uma organização criminosa com envolvimento de outros policiais.

Renato Nery foi atacado com sete tiros na cabeça em frente ao seu escritório, após Alex se aproximar com uma moto vermelha. A arma usada foi uma pistola Glock G17 adaptada para rajadas, providenciada por Heron com apoio de contatos no batalhão da Rotam.

O advogado chegou a ser levado a um hospital particular, passou por cirurgia, mas faleceu na madrugada seguinte.

Confissões, provas e estrutura criminosa

Ambos os acusados confessaram participação no crime. Heron, além de fornecer a arma, também arrendou uma chácara em Várzea Grande para treinamento de tiro e fuga do executor. A investigação da Polícia Civil reuniu provas técnicas e testemunhais que confirmam a atuação de ambos.

Além do assassinato, o MP denunciou os dois por homicídio qualificado, organização criminosa, fraude processual, e no caso do policial, também por abuso de autoridade.

Mandantes e rede policial

A investigação revelou que o crime foi encomendado por dois empresários de Primavera do Leste, Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi. O motivo: a derrota em uma ação judicial relacionada à posse de uma área rural de mais de 12 mil hectares em Novo São Joaquim, vencida por Nery.

Eles teriam prometido R$ 200 mil para a execução do crime — valor que nunca foi pago integralmente.

O caso expôs uma rede de corrupção dentro da PM, envolvendo ao menos nove policiais. Dentre eles, o sargento Jackson Pereira, apontado como peça central da articulação entre os empresários e os executores, além de Ícaro Nathan Santos Ferreira, que forneceu a pistola e participou da distribuição do dinheiro.

Outros quatro policiais tentaram apagar rastros do crime forjando um falso confronto, em que um jovem morreu e dois ficaram feridos — ação que tinha como objetivo eliminar a arma do crime. Todos foram afastados da corporação e cumprem medidas cautelares.

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