A juíza Laura Dorilêo Cândido, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu manter o julgamento de Hueder Marcos de Almeida, acusado de envolvimento no sequestro e assassinato de Thiago Festa Figueiredo, marcado para esta quinta-feira (10), às 9h. A magistrada negou o pedido da defesa para suspender a sessão e também rejeitou a solicitação de desmembramento do processo, que inclui o ex-policial militar Kleber Ferraz Albuês como coautor do crime ocorrido em dezembro de 2011.
A defesa de Hueder havia requerido mais tempo para indicar novos endereços de testemunhas, mas o pedido foi indeferido. A juíza afirmou que há indícios de atitudes que comprometem a lisura da instrução processual e destacou que a simples negativa de contato com testemunhas não basta para derrubar as medidas cautelares impostas.
Ela também sustentou que as partes têm a responsabilidade de indicar e qualificar corretamente suas testemunhas. Para a magistrada, adiar o julgamento seria prejudicial ao andamento do processo e aos direitos dos envolvidos.
Quanto ao pedido de separação dos julgamentos, a juíza avaliou que não há qualquer incompatibilidade entre as defesas dos acusados nem prejuízo concreto que justifique a medida. “A regra é o julgamento conjunto, sendo o desmembramento uma exceção que não se aplica ao caso”, afirmou.
No mesmo contexto, o Ministério Público do Mato Grosso também teve indeferido seu pedido de prisão preventiva dos réus. O MP argumentava que a liberdade dos acusados representava risco à ordem pública e à integridade das testemunhas. Contudo, a juíza avaliou que os elementos apresentados não comprovavam ameaça direta ou obstrução à Justiça.
Apesar de negar a prisão, a magistrada reforçou as medidas cautelares que já estão em vigor: proibição de contato direto ou indireto com testemunhas e restrição de saída da comarca sem autorização judicial, sob pena de prisão.
Entenda o Caso
Segundo a denúncia, Thiago Figueiredo foi abordado após sair de uma delegacia, onde havia sido conduzido com outro rapaz por envolvimento com drogas. Kleber Ferraz, então policial, o obrigou sob ameaça a dirigir até uma clínica, onde foi sedado. Hueder, segundo o Ministério Público, preparou uma mistura de medicamentos controlados que foi administrada à força na vítima.
A acusação afirma que os envolvidos encenaram uma falsa ocorrência policial para simular que Thiago havia sido encontrado morto por overdose. O corpo foi ocultado nas proximidades do Distrito da Guia, em Cuiabá. O crime teria sido motivado por razões torpes, com uso de substâncias ilegais e total impossibilidade de defesa da vítima.
A sessão de julgamento está confirmada para o dia 10 de julho de 2025, 13 anos após o crime que chocou a capital mato-grossense.




