sexta-feira, setembro 11, 2026
30 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIAEUA Reiteram Interesse nos Minerais Estratégicos Brasileiros, Diz Presidente do Ibram

EUA Reiteram Interesse nos Minerais Estratégicos Brasileiros, Diz Presidente do Ibram

Diplomata americano volta a citar importância dos recursos minerais do Brasil durante encontro com setor privado, em meio a tensões comerciais.

🕒 Publicado em 24/07/2025 às 16:43

O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, revelou nesta quinta-feira (24) que representantes dos Estados Unidos voltaram a demonstrar interesse nos minerais estratégicos presentes no território brasileiro. Segundo ele, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, mencionou o tema durante uma reunião com empresários do setor.

De acordo com Jungmann, esta não é a primeira vez que Escobar aborda a questão. O mesmo interesse havia sido manifestado há cerca de três meses. O diplomata, porém, não mencionou formalmente a intenção de firmar acordos, mas destacou a relevância dos chamados minerais críticos e estratégicos (MCEs) do Brasil para os EUA.

“A posição do Ibram foi clara: qualquer negociação institucional deve ser conduzida pelo governo brasileiro. A entidade pode dialogar, mas não tem prerrogativa para tratar de acordos internacionais,” afirmou Jungmann.

Disputa geopolítica e crise diplomática

A conversa ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. A partir de 1º de agosto, entrará em vigor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, determinada pelo governo de Donald Trump. O Palácio do Planalto entende a medida como politicamente motivada, em resposta a decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar das divergências, Escobar tem mantido diálogo com autoridades brasileiras e representantes do setor privado para tentar manter pontes abertas, principalmente em áreas de interesse mútuo como a mineração estratégica.

O Brasil e os minerais do futuro

Ainda pouco visível para a maioria da população, o Brasil possui reservas expressivas de minerais considerados vitais para as tecnologias do século 21. Itens como nióbio, lítio, cobre, grafite, cobalto, urânio e os chamados elementos de terras raras têm papel fundamental em setores que vão desde a produção de celulares e carros elétricos até sistemas de defesa e painéis solares.

Esses recursos estão no centro da disputa econômica e tecnológica entre grandes potências, especialmente os EUA e a China. Com a transição energética global em curso e a crescente digitalização da economia, garantir o acesso a essas matérias-primas tornou-se prioridade estratégica para muitos países.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil abriga a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China — que atualmente domina a cadeia global de refino e fornecimento desses elementos.

Oportunidade e desafio

Para o Brasil, a oportunidade está não apenas na extração desses minerais, mas na capacidade de transformá-los em valor agregado. Isso exige investimentos em tecnologia, inovação, infraestrutura e parcerias internacionais, além de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento industrial da cadeia mineral.

Com vantagens como estabilidade geopolítica, matriz energética limpa e conhecimento técnico consolidado, o país tem potencial para ocupar uma posição estratégica no cenário global de minerais críticos — desde que saiba transformar recursos naturais em desenvolvimento sustentável e soberania tecnológica.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS