Um ataque de drone russo ocorrido neste domingo (13) próximo à fronteira entre Ucrânia e Polônia ganhou repercussão internacional após autoridades ucranianas apontarem a possibilidade de que o alvo original fosse um trem que transportava ex-líderes europeus e autoridades de segurança.
Entre os passageiros que estavam na região estava o ex-diretor da CIA David Petraeus, que viajava em outro trem e permanecia na estação de Yahodyn no momento em que o drone atingiu uma locomotiva. O ataque não deixou vítimas nos trens, segundo as informações divulgadas até o momento.
Pouco antes do ataque, um trem especial que transportava o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt e assessores de segurança de países europeus havia deixado a estação.
O comboio seguia em direção à Polônia após a participação da delegação em uma conferência internacional de segurança realizada em Kyiv.
Trem diplomático deixou a estação antes do ataque
De acordo com a empresa ferroviária estatal ucraniana, o trem que levava as autoridades deixou Yahodyn antes do horário previsto por causa das constantes ameaças de ataques russos contra a infraestrutura ferroviária.
O ataque ocorreu depois que o comboio diplomático já havia deixado a estação e avançado em direção à fronteira polonesa.
A operadora afirmou que considera bastante provável que o drone tivesse como objetivo o trem diplomático, embora a circunstância ainda esteja sendo investigada.
A ferrovia ucraniana informou ainda que os horários dos trens são frequentemente alterados como medida de segurança diante da ameaça de ataques.
David Petraeus estava em outro trem
Enquanto o trem diplomático já havia deixado a região, David Petraeus permanecia em outro comboio que estava na estação de Yahodyn.
O ex-diretor da CIA participou, assim como outros representantes internacionais, da conferência Yalta European Strategy (YES), realizada em Kyiv.
A situação aumentou a preocupação em torno do ataque, já que o local fica a aproximadamente dois quilômetros da fronteira polonesa, em uma área considerada estratégica para a ligação ferroviária entre a Ucrânia e a Europa.
Boris Johnson condena ataque
Após o episódio, Boris Johnson criticou duramente a ação russa.
O ex-primeiro-ministro britânico afirmou que não compreendia a lógica por trás do ataque contra uma locomotiva ucraniana estacionada tão próxima da fronteira polonesa e classificou a ação como um exemplo do tipo de violência enfrentada diariamente pela população ucraniana.
O ex-premiê sueco Carl Bildt, que também estava no trem diplomático, divulgou imagens relacionadas ao ataque e afirmou que o comboio que foi atingido passou pela região poucos minutos depois da composição que transportava a delegação.
Segundo Bildt, o trem atingido foi evacuado depois que houve o alerta sobre a aproximação do drone, e não houve registro de feridos entre os passageiros.
Rússia afirma que atacava infraestrutura ferroviária
O governo russo apresentou outra versão para o episódio.
Segundo a posição divulgada por Moscou, as forças russas tinham como alvo infraestruturas ferroviárias utilizadas para transportar cargas militares provenientes de países europeus.
A justificativa russa contrasta com a avaliação apresentada pela operadora ferroviária ucraniana sobre a possibilidade de o ataque ter sido direcionado ao trem diplomático.
Até o momento, não há confirmação independente de que a composição que transportava Boris Johnson e os demais representantes europeus tenha sido efetivamente o alvo planejado.
Ataques próximos à fronteira aumentam preocupação
O episódio aconteceu em meio a uma sequência de ataques russos na região oeste da Ucrânia, incluindo áreas próximas à fronteira polonesa.
No mesmo domingo, um drone russo atingiu um veículo nas proximidades da passagem de Yahodyn-Dorohusk, provocando a interrupção temporária do funcionamento do ponto de fronteira.
A proximidade dos ataques com o território da Polônia, integrante da OTAN, elevou a preocupação entre autoridades europeias.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, classificou o episódio como uma escalada e alertou para os riscos que ataques russos próximos ao território polonês representam para a segurança regional.
O governo britânico também afirmou que os ataques contra infraestrutura civil nas proximidades da Polônia reforçam a preocupação com a dimensão mais ampla da ameaça à segurança europeia.
Episódio amplia tensão entre Rússia e Europa
O ataque ao trem ocorre em um momento de crescente preocupação europeia com a expansão dos ataques russos por drones contra alvos ucranianos.
A presença de autoridades estrangeiras na região no momento do ataque tornou o episódio ainda mais sensível diplomaticamente. Embora não haja confirmação de que o trem diplomático tenha sido o alvo, a possibilidade levantada pela operadora ferroviária aumentou as discussões sobre os riscos enfrentados por representantes internacionais que circulam pela Ucrânia.
O incidente também reforça a importância estratégica das ferrovias que ligam a Ucrânia aos países da União Europeia, utilizadas tanto para o transporte de passageiros quanto para a entrada de ajuda humanitária e outros suprimentos.
Por enquanto, as autoridades continuam avaliando as circunstâncias do ataque e se o trem que transportava os representantes europeus realmente estava entre os alvos planejados.




