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Conflito entre Tailândia e Camboja entra no 2º dia com 16 mortos e risco de guerra iminente

Disputa por território na fronteira entre os dois países já obrigou mais de 100 mil pessoas a deixarem suas casas. Bombardeios se intensificam e clima de guerra preocupa comunidade internacional

🕒 Publicado em 25/07/2025 às 08:37

O confronto armado entre Tailândia e Camboja continua nesta sexta-feira (25), alcançando o segundo dia de intensos combates em áreas de fronteira disputadas. Ao menos 16 pessoas já morreram nos confrontos, e o número de civis evacuados ultrapassa os 100 mil no lado tailandês.

O clima é de forte tensão, com os governos trocando acusações sobre quem deu início à ofensiva. Os primeiros tiros teriam sido disparados na quinta-feira (24) e rapidamente evoluíram para bombardeios em ao menos seis pontos ao longo da linha fronteiriça, que se estende por 817 km.

Escalada militar

Nesta sexta-feira, tropas tailandesas relataram ataques antes do amanhecer nas províncias de Ubon Ratchathani e Surin. Segundo o exército, o Camboja estaria utilizando sistemas de foguetes BM-21 de origem russa e artilharia pesada contra alvos tailandeses.

Em resposta, a Força Aérea da Tailândia mobilizou caças F-16, o que foi classificado pelo governo cambojano como “agressão imprudente e brutal”.

Embora o governo cambojano tenha confirmado oficialmente apenas uma morte, a Tailândia contabiliza pelo menos 15 vítimas fatais, a maioria militares, além de dezenas de feridos.

Risco de guerra e reações diplomáticas

O primeiro-ministro interino da Tailândia alertou que o embate pode “evoluir para uma guerra total” se não houver desescalada imediata. A crise já provocou uma ruptura diplomática entre os países: a Tailândia expulsou o embaixador cambojano e chamou de volta seu representante em Phnom Penh, após dois soldados tailandeses perderem membros ao pisar em minas terrestres supostamente instaladas recentemente em zonas de segurança.

As autoridades tailandesas alegam que os explosivos seriam de origem russa, não utilizados por suas forças armadas. O Camboja nega as acusações e afirma que a região ainda contém artefatos explosivos remanescentes de guerras passadas, incluindo o conflito do século XX e a Guerra Fria.

Comunidade internacional pede trégua

O impasse já chamou a atenção da comunidade internacional. Os Estados Unidos, aliados históricos da Tailândia, pediram “cessação imediata das hostilidades e proteção aos civis”. Já o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que ocupa a presidência da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), declarou ter iniciado conversas com ambos os lados para uma solução pacífica e diplomática.

Um histórico de disputas mal resolvidas

A origem da tensão está em áreas fronteiriças não demarcadas, que há mais de 100 anos são palco de disputas territoriais entre os dois países. O local já registrou episódios violentos no passado, como o confronto de 2011, que durou uma semana e deixou mortos e feridos de ambos os lados.

Apesar de acordos ocasionais, o ressurgimento de hostilidades expõe a fragilidade diplomática e o perigo constante de que disputas locais ganhem escala regional.

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