Ao analisar o duelo mais recente da Seleção Brasileira, a imprensa internacional não poupou críticas ao desempenho da equipe. E, entre os comentários mais contundentes, chamou atenção a observação de que o técnico italiano Carlo Ancelotti teria sofrido um verdadeiro “golpe de realidade”.
Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol europeu, aceitou o desafio de comandar o Brasil imaginando, talvez, que encontraria algo próximo da lendária geração de 1994 – aquela que encantava o mundo com nomes como Romário, Ronaldo (ainda em início de carreira), Denílson e Roberto Carlos. Uma seleção com identidade, talento natural e uma cultura de protagonismo em campo.
Mas o que o italiano encontrou foi algo bem diferente: uma equipe em formação, com jogadores que ainda lutam para se firmar em seus clubes, carente de um líder técnico e emocional, e que está longe – muito longe – da grandeza do passado.
A atuação fraca, sem criatividade e com falhas táticas expostas, deixou claro que o caminho para recolocar o Brasil no topo será muito mais árduo do que Ancelotti poderia ter imaginado. A pergunta que fica é: e agora, com esse choque de realidade, o que Ancelotti está pensando?
Será que o técnico, acostumado ao alto nível competitivo do futebol europeu, começará a repensar sua abordagem? Ou verá nessa fase difícil a chance de deixar uma marca histórica, reconstruindo uma seleção e trazendo de volta a essência do futebol brasileiro?
O tempo dirá. Por ora, o que se vê é uma torcida desconfiada, uma imprensa crítica e um técnico que, pela primeira vez em muitos anos, talvez esteja fora da sua zona de conforto.
Por Ademar Jajah




