A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, após complicações causadas por um câncer de intestino, trouxe à tona a urgência de se falar sobre prevenção, diagnóstico precoce e atenção aos sinais do câncer colorretal. A artista foi diagnosticada com a doença em 2023, e lutava contra um adenocarcinoma na porção final do intestino.
O oncologista Cleberson Queiroz, do Hospital São Mateus, em Cuiabá, alerta para os riscos do diagnóstico tardio.
“Esse tipo de câncer é traiçoeiro porque costuma se desenvolver sem sintomas evidentes nas fases iniciais. Isso faz com que muitas pessoas descubram a doença já em estágios avançados. Por isso, exames preventivos são fundamentais, especialmente para quem tem 45 anos ou mais”, explica.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de intestino é o terceiro tipo que mais mata no Brasil, com estimativa de mais de 40 mil novos casos por ano. Ele afeta tanto homens quanto mulheres, principalmente entre os 60 e 70 anos.
Risco silencioso, prevenção possível
O adenocarcinoma, como o que acometeu Preta Gil, geralmente se origina de pólipos intestinais – pequenas lesões benignas que, ao longo do tempo, podem se transformar em tumores malignos.
“A vantagem é que, quando detectado precocemente, esse câncer tem índices de cura superiores a 90%”, destaca Queiroz.
Os fatores de risco incluem:
- Dieta pobre em fibras e rica em carnes processadas
- Sedentarismo e obesidade
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
- Histórico familiar de câncer no intestino, mama, ovário ou útero
- Doenças inflamatórias intestinais (como Crohn e retocolite ulcerativa)
Sintomas e exames que não podem ser ignorados
A colonoscopia é o principal exame para rastreio da doença, recomendada a partir dos 45 anos ou antes, em casos de histórico familiar. O exame permite detectar e remover pólipos antes que evoluam para câncer.
Sinais de alerta incluem:
- Alterações no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre sem causa aparente)
- Sangue nas fezes
- Perda de peso inexplicável
- Fadiga constante
- Anemia
- Dores abdominais persistentes
“Muitas vezes, esses sintomas são confundidos com problemas menores, como hemorróidas ou má alimentação. Isso atrasa o diagnóstico e diminui as chances de um tratamento eficaz”, explica o oncologista.
Tratamento e prognóstico
O tratamento depende do estágio da doença, podendo envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Quando diagnosticado tardiamente, o câncer colorretal pode se espalhar para órgãos como fígado, cérebro e peritônio.
“Quanto antes o câncer é descoberto, menores são os impactos físicos e maiores as chances de cura. O caso da Preta Gil reforça a necessidade de manter em dia os exames preventivos e de não ignorar os sinais que o corpo apresenta”, finaliza Queiroz.




