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NOTÍCIAAvanço dos houthis no Iêmen aumenta tensão sobre rota estratégica do petróleo

Avanço dos houthis no Iêmen aumenta tensão sobre rota estratégica do petróleo

Captura da ilha de Perim amplia preocupação sobre o estreito de Bab el-Mandeb e pode elevar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de combustíveis

🕒 Publicado em 11/09/2026 às 08:58

O avanço dos houthis no litoral do Iêmen aumentou a preocupação em torno do estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico. O grupo, apoiado pelo Irã, capturou nesta sexta-feira (11) a ilha de Perim, posição estratégica localizada próxima ao ponto mais estreito da passagem.

Segundo fontes do governo iemenita ouvidas pela CNN, o controle da ilha pode permitir aos houthis monitorar ou dificultar a circulação de embarcações pelo estreito. A movimentação ocorre em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos e pode criar uma nova fonte de pressão sobre o transporte internacional de petróleo.

A preocupação é ainda maior porque o estreito de Ormuz, outra importante rota energética, está praticamente fechado em razão do conflito. A passagem era utilizada para transportar aproximadamente um quinto do petróleo mundial.

Petróleo ultrapassa US$ 107

Antes da captura de Perim, os houthis haviam assumido posições na cidade portuária de Mocha, na quinta-feira (10). O avanço contribuiu para aumentar a tensão nos mercados internacionais de petróleo.

O preço do barril chegou a ultrapassar US$ 107, atingindo o maior nível desde maio.

A possibilidade de restrições simultâneas em Bab el-Mandeb e Ormuz aumenta o risco de redução da oferta disponível nos mercados internacionais, especialmente em um momento de elevada instabilidade no Oriente Médio.

O que é o estreito de Bab el-Mandeb?

Bab el-Mandeb é uma passagem marítima localizada entre o Iêmen e o Chifre da África e funciona como uma importante ligação entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.

A rota é fundamental para o comércio entre a Ásia e a Europa, especialmente porque permite o acesso ao Canal de Suez. Por essa passagem circulam navios que transportam petróleo, combustíveis e diversos outros produtos.

Embora o estreito tenha importância menor para o transporte de petróleo quando comparado a Ormuz, qualquer interrupção significativa pode provocar mudanças nas rotas marítimas e aumentar os custos de transporte.

Houthis ampliam presença no litoral

A ofensiva na região ocorre após meses de aumento das tensões entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita no Iêmen.

O grupo intensificou recentemente as operações para ampliar sua presença na costa voltada para o Mar Vermelho. A captura de Mocha e o avanço sobre a ilha de Perim aumentam sua capacidade de exercer influência sobre uma das principais rotas marítimas da região.

O analista Ahmed Nagi, do International Crisis Group, avaliou que a expansão territorial pode permitir aos houthis aumentar sua influência sobre Bab el-Mandeb e, ao mesmo tempo, dificultar eventuais operações terrestres contra suas posições.

A região já enfrentava um cenário de instabilidade desde a trégua estabelecida em 2022 entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita.

Relação com o conflito entre Irã e Estados Unidos

A escalada no Iêmen acontece paralelamente ao conflito entre Irã e Estados Unidos. Os houthis são aliados de Teerã e têm sido apontados como um dos grupos capazes de ampliar a pressão sobre os interesses norte-americanos e de seus aliados na região.

A Arábia Saudita, por sua vez, é uma importante aliada dos Estados Unidos e abriga tropas e instalações militares americanas.

Nesse cenário, o controle de áreas próximas a Bab el-Mandeb pode oferecer ao Irã uma ferramenta adicional de pressão, especialmente diante das dificuldades provocadas pelo bloqueio do estreito de Ormuz.

Risco para o comércio internacional

Um eventual bloqueio de Bab el-Mandeb poderia obrigar embarcações a buscar rotas alternativas, aumentando tempo e custos de transporte.

A situação também poderia afetar o fornecimento de combustíveis para diferentes mercados, incluindo a Europa, que depende de rotas marítimas para receber parte de seus produtos energéticos.

Apesar das preocupações, representantes dos houthis afirmaram que suas ações não têm como objetivo impedir todo o transporte marítimo internacional. O grupo declarou que seus alvos são embarcações ligadas à Arábia Saudita.

Especialistas, porém, alertam que a situação permanece instável e que novos avanços militares podem alterar rapidamente o cenário.

A reação da coalizão liderada pela Arábia Saudita será um dos principais fatores para determinar os próximos passos do conflito. Uma escalada na região poderia abrir uma nova frente de combate e aumentar ainda mais a pressão sobre os mercados globais de petróleo.

cnnbrasil

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