Localizado na Rua 13 de Junho, no bairro do Porto, em Cuiabá, o Arsenal de Guerra é um dos imóveis que ajudam a contar a história da capital mato-grossense. O prédio tem origem no período colonial e passou por diferentes funções ao longo dos séculos, acompanhando momentos importantes da história de Mato Grosso.
A história do local começou em 18 de abril de 1818, quando uma Carta Régia assinada por Dom João VI determinou a criação do Real Trem de Guerra de Cuiabá. A construção teve início em 22 de abril de 1819, durante o governo do capitão-general Francisco de Paula Magessi, e foi concluída somente em 1832, já no período provincial.
Em 15 de novembro de 1831, o estabelecimento passou a ser denominado Arsenal de Guerra da Província de Mato Grosso. O primeiro diretor foi o brigadeiro Jerônimo Joaquim Nunes.
Primeiro espaço de ensino profissional
O Arsenal também teve participação na história da formação profissional em Mato Grosso. Em 1842, foi instalada no local a Companhia de Aprendizes de Artífices.
Os alunos aprendiam atividades relacionadas ao conserto, à manutenção e à construção de armas leves. A iniciativa é considerada a primeira experiência oficial de ensino profissional implantada na então província de Mato Grosso.
Participação na Guerra do Paraguai
Durante a Guerra do Paraguai, o Arsenal desempenhou uma função estratégica. O espaço era utilizado para reparar armas brasileiras e paraguaias, que posteriormente retornavam ao campo de batalha para serem utilizadas pelas tropas.
O prédio também esteve envolvido em acontecimentos políticos do final do século XIX. Durante a Revolução e a Contra-Revolução de 1892, o Arsenal funcionou como uma das bases dos revolucionários e como depósito de armas e munições.
O Arsenal também funcionou como prisão
Outro capítulo da história do imóvel está relacionado ao sistema prisional da época. O Arsenal chegou a funcionar como prisão, onde os detentos eram empregados em diferentes serviços urbanos.
Entre as atividades estavam a limpeza de praças, ruas e córregos, o abastecimento de água e trabalhos realizados no próprio Arsenal. Os presos eram conhecidos como galés ou calcetas.
O funcionamento do local refletia a complexidade das relações de trabalho daquele período, com a coexistência de trabalho assalariado, escravizado e outras formas de trabalho compulsório.
Do uso militar ao espaço cultural
No final de 1892, o imóvel tornou-se a primeira sede do 16º Batalhão de Caçadores. Décadas depois, por volta de 1970, passou a ser utilizado como depósito pelo 9º Batalhão de Engenharia de Construção.
Já na década de 1990, o prédio foi restaurado por meio do Sesc e passou a ser utilizado como espaço destinado a atividades culturais.
Reconhecido como patrimônio histórico, o Arsenal de Guerra foi tombado pela Portaria nº 63/1983. Atualmente, o imóvel é considerado um dos cartões-postais históricos de Cuiabá e integra o patrimônio arquitetônico e cultural da cidade.
Serviço
Arsenal de Guerra
📍 Rua 13 de Junho, s/nº, Centro Sul – Cuiabá/MT
📞 (65) 3611-0550
🕐 Segunda a sábado, das 13h às 22h




