O governo da Argentina anunciou nesta segunda-feira (28) que iniciou formalmente o processo para entrar no Visa Waiver Program, programa do governo dos Estados Unidos que permite a entrada de estrangeiros sem visto para turismo ou negócios, por até 90 dias. A medida é parte da estratégia do presidente Javier Milei de estreitar laços com a atual administração republicana nos EUA.
O anúncio foi feito após a visita da secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, à Casa Rosada. O encontro reforça a aproximação política e ideológica entre Milei e o ex-presidente Donald Trump, que voltou ao poder recentemente. Enquanto isso, países que não mantêm alianças próximas ao governo republicano, como o Brasil, enfrentam um cenário mais hostil nas relações comerciais com os norte-americanos.
O comunicado oficial divulgado pelo gabinete da presidência destaca que a adesão ao programa “colocará a Argentina entre um grupo seleto de nações” cujos cidadãos podem entrar nos EUA sem visto. No entanto, ressalta que a inclusão no programa não é automática e depende do cumprimento de rigorosos critérios de segurança e controle migratório.
Como funciona o Visa Waiver Program
O Visa Waiver Program permite que cidadãos de países participantes entrem nos Estados Unidos por até 90 dias, sem a necessidade de visto, desde que preencham o formulário ESTA (Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem) com até 90 dias de antecedência da viagem. A taxa para solicitar a autorização é de US$ 21 (cerca de R$ 114), bem abaixo do custo de um visto convencional, que ultrapassa R$ 1.000.
Atualmente, 42 países fazem parte do programa. Na América Latina, apenas o Chile possui isenção de visto para os Estados Unidos.
Brasil na mira de sanções
Enquanto a Argentina avança com o processo de isenção, o Brasil enfrenta ameaças tarifárias por parte do governo norte-americano. No último dia 9 de julho, os EUA anunciaram taxas de até 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para a próxima sexta-feira (1º). A medida seria uma retaliação comercial com motivações políticas, agravada pela falta de alinhamento entre o governo brasileiro e a atual gestão republicana nos EUA.
Segundo especialistas, a tensão também está relacionada à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China na América do Sul. Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP, observa que os EUA têm demonstrado crescente interesse em recursos estratégicos brasileiros, como as chamadas terras raras.
Em resposta às tarifas, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou no domingo (27) que o Brasil está buscando uma solução por meio do diálogo, evitando contaminações de ordem política ou ideológica.




