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Acrimat alerta: tarifa de 50% imposta pelos EUA ameaça exportações de carne bovina de Mato Grosso

Associação pede ação diplomática urgente do governo federal para conter impacto da medida, que torna produto brasileiro inviável no mercado americano

🕒 Publicado em 10/07/2025 às 14:34

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, a partir de 1º de agosto, acendeu o alerta no setor agropecuário de Mato Grosso. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) classificou a medida como prejudicial e insustentável para as exportações do Estado, que é um dos principais polos da pecuária nacional.

De acordo com a entidade, a nova alíquota elevará o custo da tonelada de carne para cerca de US$ 8.600, tornando o produto brasileiro economicamente inviável no mercado norte-americano, que é o segundo maior destino das exportações do Brasil, atrás apenas da China.

“A taxação proposta inviabiliza completamente a competitividade da nossa carne. Trata-se de uma medida intempestiva, que pode causar prejuízos graves ao setor pecuário de Mato Grosso”, alertou o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Junior.

A associação solicitou ao governo federal que atue imediatamente por meio de canais diplomáticos e jurídicos para reverter a decisão antes que seus efeitos se concretizem.

A imposição da tarifa foi justificada pela Casa Branca como uma retaliação a supostas barreiras comerciais impostas pelo Brasil a produtos americanos e a um alegado cerceamento de liberdades políticas, especialmente no contexto dos processos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota enviada ao governo brasileiro, o presidente norte-americano classificou os processos como “caça às bruxas” e apontou ações do Judiciário brasileiro como violações à liberdade de expressão, mencionando inclusive plataformas de redes sociais. Ele também ameaçou ampliar as taxas caso o Brasil adote medidas de retaliação, mas ofereceu isenções para empresas brasileiras que optarem por investir em fábricas nos EUA.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, na última década, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 43 bilhões na balança comercial com o Brasil, o que contradiz as alegações americanas de desequilíbrio.

Diante da gravidade do cenário, o Palácio do Planalto convocou uma reunião emergencial para discutir possíveis respostas, incluindo a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar contramedidas comerciais. Também está em análise a possibilidade de contestar a medida no âmbito internacional, por meio de mecanismos legais como a Seção 301 da legislação americana de comércio exterior.

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