Abinpet) e do IBGE, há, em média, 1,8 pet por domicílio no país. No entanto, essa conexão afetiva também demanda responsabilidade, especialmente quando se trata da prevenção de zoonoses — doenças transmissíveis entre animais e seres humanos.
De acordo com a médica-veterinária Stella Grell, que atua como country manager da VetFamily Brasil, essa convivência íntima fortalece o conceito de “Saúde Única” (One Health), que reconhece a interligação entre a saúde humana, animal e ambiental. “Viver com pets é maravilhoso, mas requer cuidados. Doenças zoonóticas são uma realidade que precisa ser encarada com informação e prevenção”, afirma.
Conheça algumas zoonoses que exigem atenção
Leptospirose
Comum após chuvas e enchentes, a leptospirose é causada por uma bactéria presente na urina de animais contaminados, especialmente roedores. Em humanos e pets, pode causar febre, dor muscular, vômitos, icterícia e, nos casos graves, falência renal ou até morte. Vacinação e controle ambiental são fundamentais.
Esporotricose
Transmitida por fungos do solo e, principalmente, por gatos infectados por meio de arranhões ou secreções, essa doença pode afetar pele, mucosas e até órgãos internos. Desde 2025, a esporotricose humana passou a ser de notificação obrigatória no Brasil.
Raiva
Extremamente grave e fatal, a raiva é provocada por um vírus que ataca o sistema nervoso central. É transmitida por mordidas de animais infectados — como cães, gatos, morcegos e primatas. A principal forma de prevenção é a vacinação anual de cães e gatos.
Febre maculosa brasileira
Transmitida por carrapatos-estrela contaminados, a doença pode levar à morte se não for tratada nas primeiras 72 horas. A infecção causa febre, dores no corpo e manchas avermelhadas. O controle de carrapatos e a prevenção ao contato com capivaras e cães infestados são cruciais.
Toxoplasmose
Essa infecção é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e está associada ao consumo de alimentos crus ou mal higienizados. Embora geralmente assintomática, pode trazer sérios riscos para gestantes. Higiene na alimentação e cuidados com os animais são formas eficazes de prevenção.
Toxocaríase e ancilostomíase
Verminoses intestinais adquiridas por contato com solo contaminado por fezes de cães e gatos. Crianças são as mais vulneráveis. A prevenção está na vermifugação regular de pets e no cuidado com ambientes públicos.
Leishmaniose visceral
Transmitida pelo mosquito-palha, essa doença atinge cães e humanos, provocando febre persistente, emagrecimento e aumento do fígado e do baço. Cães são hospedeiros, não transmissores diretos, e o uso de repelentes, colares e cuidados ambientais ajudam na proteção.
Prevenção é compromisso de todos
Stella Grell reforça que medidas simples são poderosas: vacinação, controle de parasitas, higiene adequada e visitas regulares ao médico-veterinário. “Hoje existem produtos eficazes no mercado para o controle de pulgas, carrapatos e vermes intestinais. Essas ações fazem parte de um cuidado mais amplo, que protege toda a família”, pontua.
Além disso, ela destaca que os check-ups veterinários devem ser feitos, no mínimo, uma vez por ano — ou em intervalos menores no caso de animais idosos ou com problemas crônicos. “Veterinários cuidam da saúde coletiva. A prevenção de zoonoses começa em casa, mas tem impacto em toda a sociedade”, conclui.




