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Professora da UFMT homenageia Tereza de Benguela e destaca lutas sociais no Dia da Mulher Negra Latino-Americana

Finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico, Bruna Irineu reforça a importância de visibilizar o legado de Tereza de Benguela e combater as desigualdades no Brasil

🕒 Publicado em 25/07/2025 às 15:48

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado nesta sexta-feira (25), também é data oficial de homenagem a Tereza de Benguela, liderança quilombola histórica de Mato Grosso. Para a professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisadora de gênero, Bruna Andrade Irineu, a data simboliza a urgência de enfrentar as desigualdades sociais que atingem, de maneira mais intensa, mulheres negras, indígenas e populações LGBTQIA+.

O 25 de julho conecta a luta contra o racismo, o sexismo e a exclusão social. Tereza de Benguela representa resistência e poder político popular. Ela deveria ocupar lugar de destaque na memória histórica de Mato Grosso”, afirma a professora.

Bruna é coautora do livro “Diversidade Sexual e de Gênero e Marxismo”, obra finalista da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, promovido pela Câmara Brasileira do Livro. A publicação, escrita em parceria com o professor Guilherme Gomes Ferreira (UFRGS), trata das interseções entre desigualdade de classe, gênero, sexualidade e raça. O título concorre na categoria “Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social”, entre mais de 2 mil inscritos.

A pesquisadora também denuncia o esvaziamento de políticas públicas no estado e os ataques de lideranças políticas a grupos vulnerabilizados.

“Mato Grosso enfrenta um cenário de vazio institucional em políticas de enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+, além de discursos anticientíficos e antidereitos que enfraquecem o debate étnico-racial e de gênero nas escolas”, pontua.

Bruna atua no Departamento de Serviço Social da UFMT e integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre as Relações de Gênero (NUEPOM). Ela celebra a indicação ao prêmio como forma de visibilizar a produção acadêmica fora dos grandes centros. “É simbólico que uma professora negra, formada na UFMT, seja finalista de um dos maiores prêmios do país. Produzimos ciência como resistência”, afirma.

A cerimônia de premiação acontece no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O vencedor de cada categoria receberá troféu e premiação em dinheiro. A lista completa dos finalistas está disponível no site www.premiojabuti.com.br/academico.

Quem foi Tereza de Benguela

Tereza de Benguela, conhecida como Rainha Tereza, liderou o Quilombo do Quariterê, também chamado Quilombo do Piolho, localizado na atual fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. Após o assassinato de seu companheiro, José Piolho, por tropas coloniais, Tereza assumiu a liderança e comandou a resistência por cerca de 20 anos.

O quilombo era formado por mais de 100 pessoas, entre negros escravizados e indígenas, com forte organização comunitária, produção própria e defesa armada. A história de Tereza, por muito tempo apagada dos livros, vem sendo resgatada por pesquisadores e movimentos sociais como um símbolo da resistência negra feminina no Brasil.

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