Diante do agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza e sob forte pressão internacional, Israel decidiu retomar a permissão para lançamentos aéreos de ajuda humanitária, medida que deve entrar em vigor nesta sexta-feira (25). A decisão foi confirmada por um oficial das Forças de Defesa de Israel à rádio do Exército.
O retorno da ajuda aérea acontece em meio a um cenário alarmante de fome generalizada e desnutrição infantil severa entre os mais de 2 milhões de palestinos que vivem no território. Organizações internacionais, como a ONU e o Programa Mundial de Alimentos, apontam níveis de desespero sem precedentes.
Situação extrema e descontrole alimentar
A UNRWA, agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, afirma que uma em cada cinco crianças na cidade de Gaza está desnutrida. Casos fatais de fome e debilidade física são cada vez mais frequentes. Só nesta semana, mais de 45 mortes por desnutrição foram confirmadas na região.
Em um hospital de Khan Younis, imagens divulgadas pela agência Reuters mostraram crianças com quadro grave de desnutrição, sendo tratadas em condições precárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também alertou para a morte de ao menos 21 crianças menores de cinco anos por falta de alimentos em 2025.
“Pessoas em Gaza não estão nem vivas nem mortas — são cadáveres ambulantes”, afirmou Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA.
Acusações mútuas: Israel, ONU e Hamas
O governo israelense nega bloqueios à entrada de suprimentos, mas atribui à ONU e ao grupo Hamas a responsabilidade pela não distribuição da ajuda. Em nota, Israel declarou que centenas de caminhões com suprimentos aguardam coleta dentro de Gaza, porém as agências humanitárias “se recusam a atuar”.
Por outro lado, a ONU contesta a versão israelense. Segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Israel não tem permitido a presença de observadores da ONU nas travessias, o que dificulta a verificação da entrada e distribuição dos itens.
GHF sob críticas e questionamentos
A distribuição de ajuda humanitária no território passou a ser centralizada na Gaza Humanitarian Foundation (GHF), desde a reabertura parcial das fronteiras em maio. No entanto, a fundação é rejeitada por agências humanitárias e vista com desconfiança devido à falta de transparência, experiência e relatos de uso da força armada em centros de distribuição.
A própria ONU afirma que mais de 1.000 palestinos já morreram em incidentes nos postos da GHF, onde seguranças fortemente armados atuam para conter multidões famintas. Ainda assim, a fundação afirma ter entregado quase 1,5 milhão de caixas de alimentos.
A porta-voz da UNRWA, Juliette Touma, revelou que há 6.000 caminhões carregados com alimentos e medicamentos parados na Jordânia e no Egito, sem permissão para entrar em Gaza desde março de 2025. Antes disso, a ONU operava 400 pontos de distribuição, agora substituídos por apenas quatro centros administrados pela GHF.
Conflito segue sem trégua
A guerra entre Israel e o Hamas teve início em 7 de outubro de 2023, após um ataque do grupo armado que matou 1.219 israelenses e fez 250 reféns. Desde então, a ofensiva militar israelense em Gaza causou, segundo autoridades locais, mais de 59 mil mortes, em sua maioria civis.




