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NOTÍCIAPor que os EUA estão de olho nas reservas brasileiras

Por que os EUA estão de olho nas reservas brasileiras

Elementos essenciais para tecnologias de ponta colocam Brasil no radar geopolítico; disputa global por minerais estratégicos ganha força

🕒 Publicado em 25/07/2025 às 08:26

A crescente disputa por minerais estratégicos no cenário global colocou o Brasil no centro das atenções. Detentor da segunda maior reserva de terras raras do planeta, o país atrai o interesse de grandes potências — especialmente dos Estados Unidos, que buscam reduzir sua dependência da China nesse setor.

Os 17 elementos químicos conhecidos como terras raras são fundamentais para o funcionamento de tecnologias modernas, desde smartphones até turbinas eólicas e equipamentos militares. Embora estejam presentes em diferentes partes do mundo, sua extração e refino em larga escala são dominados por poucos países — com destaque absoluto para a China, que controla cerca de 70% da produção mundial.

O interesse dos EUA e o impasse com o Brasil

Em meio a tensões comerciais herdadas do governo Donald Trump, os EUA demonstraram interesse explícito nas reservas brasileiras de terras raras. A aproximação ficou clara em reunião recente entre representantes da Embaixada dos Estados Unidos e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que tratou de possíveis acordos de cooperação para garantir acesso a esses minerais considerados estratégicos.

Entretanto, o tema é sensível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com críticas à manifestação americana, reforçando que os recursos naturais brasileiros pertencem ao país. “Aqui ninguém põe a mão”, afirmou Lula, ao comentar sobre o interesse estrangeiro em riquezas como o nióbio, lítio e terras raras.

Afinal, o que são as terras raras?

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos. O termo “raro” refere-se à dificuldade em encontrar depósitos economicamente viáveis para exploração em larga escala. Eles são essenciais, mesmo em pequenas quantidades, para o desenvolvimento de ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas e dispositivos eletrônicos.

Além da indústria de consumo, as terras raras são cruciais para a defesa e segurança nacional de diversas nações. Equipamentos militares, como aviões de combate e sistemas de laser, dependem desses elementos. O neodímio e o praseodímio, por exemplo, são amplamente utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho, chegando a valer mais de R$ 350 por quilo. Já o térbio, mais escasso, pode ultrapassar R$ 5 mil o quilo.

O domínio chinês e a preocupação ocidental

O verdadeiro poder da China não está apenas nas reservas, mas no controle das cadeias de refino e produção de ímãs — etapa altamente complexa e tecnológica. Para alguns elementos pesados, a dependência da Europa e dos EUA é total, o que acende alertas em tempos de disputas comerciais e tensões geopolíticas.

Esse cenário levou os EUA e a União Europeia a formarem estoques estratégicos e a buscar novos fornecedores — e é aí que o Brasil entra como peça-chave.

Onde estão as terras raras no Brasil?

Além das reservas já conhecidas, o Brasil possui potencial inexplorado em várias regiões. Estudos geológicos indicam depósitos promissores na Bacia do Parnaíba, que se estende por Maranhão, Piauí e Ceará. Outro destaque é a Elevação do Rio Grande, uma formação submersa no Atlântico Sul, que o Brasil tenta incorporar oficialmente ao seu território junto à ONU.

Pesquisas da USP mostram que a região submersa é rica em minerais estratégicos e apresenta características geológicas semelhantes às do interior paulista. Já no município de Minaçu (GO), há exploração comercial de terras raras em argilas iônicas — o que torna o Brasil o único país fora da Ásia a produzir esse tipo de minério em escala comercial.

Um trunfo estratégico para o Brasil

Além da abundância mineral, o Brasil possui vantagens importantes: território politicamente estável, matriz energética majoritariamente limpa, tradição na mineração e capacidade técnica instalada. Esses fatores posicionam o país como potencial protagonista na nova corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética e inovação tecnológica global.

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