Nesta quarta-feira (04.06), trabalhadores ambulantes realizaram um protesto em frente à Prefeitura de Cuiabá para reivindicar a permanência no centro da cidade. A manifestação ocorre às vésperas do prazo final para desocupação das calçadas na região central, estabelecido para esta quinta-feira (05.06) pela Secretaria de Ordem Pública.
Os manifestantes contestam a proposta da prefeitura de transferi-los para o Shopping Orla, localizado no bairro do Porto. Segundo os ambulantes, a região tem baixa movimentação de consumidores, o que inviabilizaria suas atividades comerciais. “Se nos mandarem para o Porto, vamos passar fome. O lugar está abandonado, sem movimento. Precisamos de um espaço no centro”, afirmou Jean Bertho, representante dos trabalhadores imigrantes haitianos, que somam 84 pessoas.
O presidente do Sindicato dos Camelôs, Augusto Ferreira da Silva, criticou a falta de diálogo e sugeriu alternativas dentro da região central, como o calçadão, fundos dos Correios, Praça Ipiranga e até o Morro da Luz. “Estamos dispostos a cuidar do espaço, manter limpo, organizar tudo. Só queremos continuar trabalhando no centro, onde há fluxo de pessoas”, declarou.
Augusto também questionou o tratamento dado aos ambulantes, destacando que comerciantes formais também ocupam calçadas e pedindo uma solução mais justa. Ele afirmou que nesta quinta-feira os ambulantes não exporão mercadorias nas ruas, devido à presença de fiscais e da polícia, mas continuarão mobilizados na Praça Ipiranga em busca de negociação com o prefeito Abilio Brunini (PL).
A Prefeitura de Cuiabá anunciou que a ação de desocupação visa reorganizar o Centro Histórico, desobstruir calçadas e combater o que chamou de “concorrência desleal”. O Beco do Candeeiro, citado anteriormente como possível opção, foi descartado pelos trabalhadores por não oferecer condições adequadas.
O movimento reforça a luta dos ambulantes no centro de Cuiabá por condições dignas de trabalho e pela permanência em locais com viabilidade comercial, em meio a uma disputa entre a ocupação do espaço urbano e a sobrevivência de quem vive do comércio informal.




