Da Redação / acaradopovo.com.br
O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), fez duras críticas às empresas que operam empréstimos consignados para servidores aposentados do Estado. Segundo ele, há fortes indícios de ilegalidades nos contratos, como juros abusivos e falta de transparência nos termos firmados.
Durante entrevista à imprensa, o parlamentar afirmou que o esquema já opera há anos e teria beneficiado pessoas ainda não identificadas. Ele classificou o sistema como “vicioso”, ressaltando que os servidores se tornam vítimas de dívidas intermináveis.
Campos apontou a empresa Capital Consig como uma das principais envolvidas. Segundo ele, a empresa atua há muito tempo sem o devido controle dos órgãos fiscalizadores, o que teria permitido a criação de um modelo que retira, de forma irregular, recursos dos trabalhadores do serviço público estadual.
“Essa prática não começou agora, nem é exclusividade do atual governo. A empresa está enraizada no Estado e aproveitou a falta de fiscalização para implantar esse sistema abusivo que penaliza o servidor”, afirmou o deputado.
Ele ainda destacou que muitos servidores já quitaram os empréstimos, mas continuam com descontos em folha por não terem acesso claro às informações contratuais. “Há casos em que uma dívida de R$ 10 mil, com parcelamentos longos de até 120 meses, se transforma em R$ 70 mil. O servidor sequer tem conhecimento do número de parcelas, dos juros aplicados ou do valor total pago”, completou.
Júlio Campos também alertou sobre a possível ligação de grupos políticos com empresas financeiras que oferecem esses serviços, motivados pelo lucro garantido por meio dos convênios com órgãos públicos. “Emprestar dinheiro com desconto em folha virou negócio certo para muitos. Basta ser credenciado pelo governo estadual, prefeituras ou câmaras, que o retorno é garantido”, declarou.
Por fim, o deputado defendeu uma investigação rigorosa por parte da Polícia Judiciária Civil e do Ministério Público Estadual. Ele acredita que o escândalo pode ser maior do que se imagina. “O Tribunal de Contas pode fazer uma análise técnica, mas esse caso precisa ser tratado como polícia. O rombo que vai aparecer é tão grande que vai surpreender a todos”, finalizou.




