O avanço dos houthis no litoral do Iêmen aumentou a preocupação em torno do estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico. O grupo, apoiado pelo Irã, capturou nesta sexta-feira (11) a ilha de Perim, posição estratégica localizada próxima ao ponto mais estreito da passagem.
Segundo fontes do governo iemenita ouvidas pela CNN, o controle da ilha pode permitir aos houthis monitorar ou dificultar a circulação de embarcações pelo estreito. A movimentação ocorre em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos e pode criar uma nova fonte de pressão sobre o transporte internacional de petróleo.
A preocupação é ainda maior porque o estreito de Ormuz, outra importante rota energética, está praticamente fechado em razão do conflito. A passagem era utilizada para transportar aproximadamente um quinto do petróleo mundial.
Petróleo ultrapassa US$ 107
Antes da captura de Perim, os houthis haviam assumido posições na cidade portuária de Mocha, na quinta-feira (10). O avanço contribuiu para aumentar a tensão nos mercados internacionais de petróleo.
O preço do barril chegou a ultrapassar US$ 107, atingindo o maior nível desde maio.
A possibilidade de restrições simultâneas em Bab el-Mandeb e Ormuz aumenta o risco de redução da oferta disponível nos mercados internacionais, especialmente em um momento de elevada instabilidade no Oriente Médio.
O que é o estreito de Bab el-Mandeb?
Bab el-Mandeb é uma passagem marítima localizada entre o Iêmen e o Chifre da África e funciona como uma importante ligação entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
A rota é fundamental para o comércio entre a Ásia e a Europa, especialmente porque permite o acesso ao Canal de Suez. Por essa passagem circulam navios que transportam petróleo, combustíveis e diversos outros produtos.
Embora o estreito tenha importância menor para o transporte de petróleo quando comparado a Ormuz, qualquer interrupção significativa pode provocar mudanças nas rotas marítimas e aumentar os custos de transporte.
Houthis ampliam presença no litoral
A ofensiva na região ocorre após meses de aumento das tensões entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita no Iêmen.
O grupo intensificou recentemente as operações para ampliar sua presença na costa voltada para o Mar Vermelho. A captura de Mocha e o avanço sobre a ilha de Perim aumentam sua capacidade de exercer influência sobre uma das principais rotas marítimas da região.
O analista Ahmed Nagi, do International Crisis Group, avaliou que a expansão territorial pode permitir aos houthis aumentar sua influência sobre Bab el-Mandeb e, ao mesmo tempo, dificultar eventuais operações terrestres contra suas posições.
A região já enfrentava um cenário de instabilidade desde a trégua estabelecida em 2022 entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita.
Relação com o conflito entre Irã e Estados Unidos
A escalada no Iêmen acontece paralelamente ao conflito entre Irã e Estados Unidos. Os houthis são aliados de Teerã e têm sido apontados como um dos grupos capazes de ampliar a pressão sobre os interesses norte-americanos e de seus aliados na região.
A Arábia Saudita, por sua vez, é uma importante aliada dos Estados Unidos e abriga tropas e instalações militares americanas.
Nesse cenário, o controle de áreas próximas a Bab el-Mandeb pode oferecer ao Irã uma ferramenta adicional de pressão, especialmente diante das dificuldades provocadas pelo bloqueio do estreito de Ormuz.
Risco para o comércio internacional
Um eventual bloqueio de Bab el-Mandeb poderia obrigar embarcações a buscar rotas alternativas, aumentando tempo e custos de transporte.
A situação também poderia afetar o fornecimento de combustíveis para diferentes mercados, incluindo a Europa, que depende de rotas marítimas para receber parte de seus produtos energéticos.
Apesar das preocupações, representantes dos houthis afirmaram que suas ações não têm como objetivo impedir todo o transporte marítimo internacional. O grupo declarou que seus alvos são embarcações ligadas à Arábia Saudita.
Especialistas, porém, alertam que a situação permanece instável e que novos avanços militares podem alterar rapidamente o cenário.
A reação da coalizão liderada pela Arábia Saudita será um dos principais fatores para determinar os próximos passos do conflito. Uma escalada na região poderia abrir uma nova frente de combate e aumentar ainda mais a pressão sobre os mercados globais de petróleo.
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