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Brad Pitt revela que voltou a beber após sete anos de sobriedade; especialistas alertam para risco de recaída

Psiquiatras explicam por que pessoas que já tiveram problemas com álcool podem perder o controle novamente mesmo após anos sem consumir a bebida

🕒 Publicado em 20/08/2026 às 09:52

Depois de passar sete anos sem consumir álcool, o ator Brad Pitt afirmou em entrevista à revista Esquire que voltou a beber de maneira que considera moderada. A declaração reacendeu uma discussão importante sobre recuperação da dependência alcoólica e os riscos associados à tentativa de retomar o consumo.

Pitt contou que atualmente consegue tomar algumas taças de vinho, mas reconheceu que precisa manter limites. Em 2017, o ator havia revelado que enfrentava problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool e que deixou de beber durante o período de separação de Angelina Jolie.

A experiência do ator, porém, não representa uma orientação para pessoas que já tiveram dependência alcoólica. Especialistas ouvidos sobre o tema alertam que, para quem perdeu o controle sobre o consumo no passado, voltar a beber pode aumentar significativamente o risco de recaída.

Por que voltar a beber pode ser perigoso?

Segundo a psiquiatra e pesquisadora Olivia Pozzolo, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), existe a possibilidade de a pessoa retomar rapidamente o padrão de consumo que havia conseguido interromper.

O psiquiatra Arthur Guerra, especialista em dependência química, explica que o organismo pode manter uma espécie de memória biológica relacionada ao consumo excessivo de álcool.

Isso significa que, mesmo depois de um longo período de abstinência, a pessoa pode apresentar dificuldade para manter o consumo dentro dos limites que havia planejado.

A questão, portanto, não está apenas no número de bebidas ingeridas, mas na relação que o indivíduo desenvolveu anteriormente com o álcool.

A sensação de que o problema ficou para trás

Um dos principais fatores associados à recaída é o excesso de confiança.

Quando a pessoa passa meses ou anos sem beber e percebe melhorias no sono, na saúde, nos relacionamentos e na vida profissional, pode surgir a impressão de que o problema foi definitivamente superado.

É nesse momento que algumas pessoas passam a considerar a possibilidade de voltar a beber socialmente.

O problema é que a estabilidade conquistada pode ter sido justamente resultado da abstinência e do tratamento.

Além disso, segundo os especialistas, o cérebro mantém alterações relacionadas aos mecanismos de desejo e recompensa mesmo após longos períodos sem álcool.

Quais são os sinais de uma possível recaída?

A recaída nem sempre começa com grandes quantidades de álcool. Em alguns casos, os primeiros sinais aparecem na criação de regras para tentar controlar o consumo.

Entre os exemplos estão:

  • “Vou beber somente nos finais de semana”;
  • “Só vou tomar cerveja”;
  • “Vou beber apenas em ocasiões especiais”;
  • “Consigo tomar apenas uma ou duas doses”.

Quando essas regras começam a ser flexibilizadas, o comportamento pode indicar que o controle sobre o consumo está novamente sendo comprometido.

Outros sinais de alerta incluem aumento gradual da quantidade ou frequência, maior tolerância à bebida, consumo escondido ou solitário e afastamento de pessoas que participam da rede de apoio.

Recaída não significa fracasso

Os especialistas destacam que uma recaída não deve ser interpretada como uma falha moral.

A dependência do álcool é uma condição que pode exigir acompanhamento prolongado, e procurar ajuda rapidamente pode impedir que um episódio isolado evolua para um retorno ao padrão anterior de consumo.

A vontade de testar se é possível beber novamente também merece atenção.

Segundo os especialistas, esse desejo pode estar relacionado a situações como estresse, perdas, conflitos ou outros fatores emocionais que precisam ser identificados e trabalhados.

Por isso, diante da vontade de voltar a consumir álcool depois de um período de abstinência, conversar com um profissional especializado pode ajudar a compreender o que está acontecendo e reduzir os riscos.

Existe consumo seguro para quem já teve dependência?

A resposta depende da relação anterior da pessoa com o álcool e do quadro apresentado.

Especialistas destacam que alguns indivíduos que tiveram problemas considerados mais leves podem eventualmente conseguir manter um consumo social. Esse grupo, porém, seria específico e não necessariamente representa quem já apresentou características claras de dependência.

Entre os fatores considerados estão quadros menos graves, ausência de perda de controle, ausência de sintomas de abstinência e existência de uma boa rede de apoio.

O problema é que a maioria das pessoas não consegue determinar antecipadamente se conseguirá controlar o consumo depois de uma história de dependência.

Por isso, para quem já enfrentou perda de controle relacionada ao álcool, a abstinência continua sendo considerada a alternativa de menor risco.

Dependência e consumo ocasional não são a mesma coisa

Também é importante diferenciar quem reduziu ou interrompeu o consumo por escolha pessoal de quem apresentou dependência.

Uma pessoa que nunca teve perda de controle, compulsão ou prejuízos associados ao álcool não necessariamente está diante de uma recaída caso volte a consumir eventualmente.

A diferença fundamental está na relação estabelecida com a bebida.

Na dependência, podem estar presentes elementos como compulsão, tolerância, dificuldade de interromper o consumo e continuidade do uso mesmo diante de consequências negativas.

Álcool exige atenção mesmo fora da dependência

Os alertas não se restringem às pessoas que já enfrentaram dependência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe nível de consumo de álcool completamente isento de riscos à saúde.

Por isso, qualquer decisão relacionada ao consumo deve considerar os riscos individuais, especialmente quando existe histórico de problemas com a bebida.

No caso de pessoas que já tiveram dependência alcoólica, a tentativa de descobrir se agora conseguem beber “com moderação” pode representar um risco importante de retorno ao comportamento compulsivo.

g1

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