A Federação Internacional de Futebol (Fifa) voltou a defender sua proposta de criação de um modelo de investimento privado para ampliar o financiamento às associações nacionais e negou que o projeto represente a venda dos direitos da Copa do Mundo ou de outras competições organizadas pela entidade.
Em comunicado divulgado nesta semana, a Fifa atribuiu a repercussão negativa da proposta à divulgação de informações consideradas incorretas pela imprensa e informou que continuará o processo de consulta junto às federações filiadas antes da decisão definitiva.
Segundo a entidade, a proposta não altera a estrutura comercial da Fifa nem prevê a comercialização do controle de suas principais competições.
Entidade rejeita críticas
No comunicado, a Fifa afirmou que a iniciativa foi mal interpretada e reforçou que o futebol não está à venda.
A entidade também esclareceu que a empresa denominada FIFA Forward Enterprise (FFE) não será criada nos moldes divulgados anteriormente e reiterou que pretende ouvir todas as associações nacionais antes da votação prevista para os próximos meses.
Europa anuncia boicote
A proposta provocou forte reação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que anunciou o boicote aos torneios organizados pela Fifa como forma de protesto.
Em nota oficial, a entidade europeia afirmou que a Copa do Mundo pertence ao futebol e não deve ser objeto de negociação com investidores privados.
O próximo evento da Fifa previsto no continente europeu é a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para começar em 5 de setembro, na Polônia.
Outras confederações também rejeitam proposta
Além da Uefa, outras duas importantes confederações manifestaram oposição ao projeto.
A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) questionou a necessidade de buscar investimentos externos após a realização da Copa do Mundo considerada pela própria Fifa como a mais lucrativa da história.
A entidade também criticou o curto prazo estabelecido para análise da proposta e apontou falta de discussão pelos órgãos de governança da federação internacional.
Já a Confederação Asiática de Futebol (AFC) pediu uma revisão urgente dos processos internos da Fifa, defendendo maior transparência nas decisões e nas consultas realizadas junto às federações filiadas.
Proposta prevê aumento dos repasses
O plano apresentado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem como objetivo ampliar os recursos destinados às 211 associações nacionais filiadas.
A proposta prevê elevar o financiamento básico de US$ 10 milhões para US$ 20 milhões durante o próximo ciclo de quatro anos.
Pelas projeções da entidade, cada associação poderá receber cerca de US$ 86 milhões até 2038, caso o projeto seja implementado.
Investidor seria empresa dos Estados Unidos
De acordo com informações divulgadas sobre a proposta, o principal investidor seria uma empresa norte-americana de investimentos fundada por Joshua Kushner, empresário e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A proposta segue em fase de consulta e deverá ser analisada pelas associações nacionais antes da definição sobre sua implementação.




