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Sociólogo africano critica neocolonialismo e alerta para disputa global por recursos naturais

Durante congresso na Universidade de Brasília, Miguel de Barros defendeu a valorização dos saberes tradicionais e questionou o uso de tecnologias e da inteligência artificial em benefício de grandes potências

🕒 Publicado em 31/07/2026 às 09:23

O sociólogo e ambientalista Miguel de Barros, da Guiné-Bissau, afirmou que comunidades tradicionais da África e do Brasil enfrentam crescentes ameaças diante da disputa internacional por recursos naturais considerados estratégicos. A declaração foi feita durante a conferência de abertura do 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as), realizado na Universidade de Brasília (UnB).

Reconhecido por sua atuação nas áreas de políticas públicas, desenvolvimento social e justiça ambiental, o pesquisador defendeu que países do chamado Norte Global mantêm práticas que, segundo ele, reproduzem formas contemporâneas de colonialismo por meio do controle de recursos naturais e tecnologias.

Disputa por terras raras e recursos estratégicos

Durante a palestra, Miguel de Barros afirmou que empresas de países economicamente desenvolvidos buscam ampliar o domínio sobre áreas ricas em minerais estratégicos, conhecidos como terras raras, utilizados na fabricação de equipamentos tecnológicos, veículos elétricos e componentes da indústria de defesa.

Segundo o sociólogo, o interesse por regiões como a Amazônia está relacionado não apenas à disponibilidade de recursos minerais, mas também às reservas de água, biodiversidade, produção de alimentos e potencial energético.

Na avaliação do pesquisador, esse cenário amplia os desafios enfrentados por comunidades tradicionais e povos originários, que convivem com pressões sobre seus territórios.

Inteligência artificial também foi tema do debate

Outro ponto abordado por Miguel de Barros foi o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias.

Ele argumentou que parte do desenvolvimento tecnológico mundial estaria concentrada nas mãos de grandes grupos econômicos, o que, segundo sua avaliação, pode ampliar desigualdades sociais e dificultar o acesso das populações historicamente marginalizadas aos benefícios da inovação.

O pesquisador defendeu investimentos em inclusão tecnológica e na valorização dos conhecimentos produzidos por comunidades negras e tradicionais, apontando que esses saberes devem integrar as estratégias de desenvolvimento científico.

Críticas à distribuição de tecnologias durante a pandemia

Ao abordar a pandemia de Covid-19, Miguel de Barros criticou a desigualdade no acesso a medicamentos e tecnologias de saúde entre países desenvolvidos e nações africanas.

Segundo ele, a baixa transferência de tecnologia dificultou o avanço da vacinação em diversos países do continente africano, ampliando as vulnerabilidades sociais e sanitárias enfrentadas pela população.

Defesa da autonomia e dos saberes tradicionais

Encerrando sua participação, o sociólogo destacou a importância de fortalecer políticas públicas voltadas à autonomia econômica, social e política das comunidades negras e tradicionais.

Para Miguel de Barros, a preservação dos conhecimentos ancestrais e o reconhecimento dos direitos dessas populações são elementos fundamentais para enfrentar desigualdades e garantir melhores condições de desenvolvimento.

O 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) reúne pesquisadores, estudantes e representantes de movimentos sociais para debater temas relacionados à igualdade racial, políticas públicas, educação, direitos humanos e desenvolvimento social.

**Informações via Agência Brasil

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