A rede municipal de saúde de Várzea Grande passou a oferecer, pela primeira vez, o anticorpo monoclonal Nirsevimabe para proteger bebês prematuros e crianças que fazem parte dos grupos de maior risco contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A iniciativa, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde, integra a estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para reduzir complicações causadas pelo vírus, principal responsável por casos de bronquiolite e pneumonia grave na infância.
A aplicação do medicamento segue o Protocolo de Uso do Nirsevimabe para prevenção de infecções respiratórias inferiores associadas ao VSR em prematuros e crianças com comorbidades. Em Várzea Grande, as doses começaram a ser administradas em fevereiro deste ano, conforme avaliação médica e as condições clínicas de cada paciente.
O atendimento é realizado na Maternidade Pública “Dr. Francisco Lustosa” e também nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A Unidade Básica de Saúde Jardim Glória foi a primeira da atenção primária, fora do ambiente hospitalar, a disponibilizar o medicamento.
De acordo com a enfermeira responsável pela Imunização da Atenção Primária de Várzea Grande, Patrícia Pretel Feitosa, a inclusão do Nirsevimabe na rede pública amplia a proteção destinada aos bebês prematuros que atendem aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Segundo ela, a administração do anticorpo segue protocolos específicos, tanto em relação ao público contemplado quanto à dosagem adequada para cada faixa de peso.
Desde o início da oferta, 19 doses já foram aplicadas em recém-nascidos prematuros na maternidade. Em alguns casos, o medicamento é administrado ainda durante a internação, logo após o nascimento e quando o bebê apresenta estabilidade clínica. Nos casos em que o recém-nascido ainda não atingiu o peso recomendado, a aplicação é realizada posteriormente em uma Unidade Básica de Saúde.
O protocolo estabelece que bebês prematuros — nascidos antes das 37 semanas de gestação — devem receber o Nirsevimabe por via intramuscular logo após o nascimento ou assim que apresentarem condições clínicas adequadas.
A dosagem varia conforme o peso da criança. Bebês com menos de cinco quilos recebem dose única de 0,5 ml, enquanto aqueles com peso igual ou superior a cinco quilos recebem uma aplicação única de 1 ml.
Para crianças de até 24 meses que apresentem doenças ou condições que aumentem o risco de complicações durante uma segunda temporada de circulação do VSR, a recomendação é uma dose única, administrada em duas aplicações de 1 ml em locais distintos do corpo.
O medicamento é indicado para prematuros e também para crianças com doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doenças neuromusculares, anomalias congênitas das vias aéreas e síndrome de Down.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Vírus Sincicial Respiratório é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e por até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos no Brasil.
Entre 2018 e 2024, o país registrou 83.740 internações de bebês prematuros. Somente em 2024, dos mais de 82 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados a vírus respiratórios, aproximadamente 32% tiveram como causa o VSR.
As crianças com menos de um ano concentram a maior parte dos registros, representando mais de 72% dos casos confirmados e cerca de 42% dos óbitos relacionados à doença.
Especialistas destacam que a maior vulnerabilidade dos bebês está ligada à imaturidade do sistema imunológico, à menor transferência de anticorpos maternos, ao reduzido calibre das vias respiratórias e a fatores como anemia, desmame precoce, infecções respiratórias recorrentes e uso anterior de corticoides.
O VSR apresenta comportamento sazonal, com maior circulação nos períodos de temperaturas mais baixas, principalmente durante o outono e o inverno. Em todo o mundo, o vírus é responsável por aproximadamente 3,6 milhões de internações e cerca de 100 mil mortes anuais de crianças menores de cinco anos, sendo metade desses óbitos registrada entre bebês com menos de seis meses.




