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Um em Cada Quatro Brasileiros Desconhece que o Câncer Pode Ser Prevenido, Aponta Estudo

Pesquisa nacional revela baixa percepção sobre fatores de risco como sedentarismo, obesidade e consumo de ultraprocessados, especialmente entre os jovens

🕒 Publicado em 03/06/2026 às 08:33

Embora a prevenção seja considerada uma das principais ferramentas no combate ao câncer, uma parcela significativa da população brasileira ainda desconhece essa possibilidade. É o que revela o relatório “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, divulgado nesta quarta-feira (3).

O levantamento mostra que um em cada quatro brasileiros não sabe que diversos tipos de câncer podem ser evitados por meio de hábitos saudáveis e da redução da exposição a fatores de risco conhecidos.

A pesquisa, realizada pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), entrevistou 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. O objetivo foi compreender como a população percebe os fatores relacionados ao desenvolvimento da doença e quais comportamentos adota em relação à prevenção.

Os dados ganham ainda mais relevância diante da estimativa do Inca de que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no período de 2026 a 2028. O número representa crescimento de 10,9% em comparação ao triênio anterior, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional e pelos hábitos de vida.

Entre os fatores de risco mais reconhecidos pela população estão o tabagismo, citado por 90,5% dos entrevistados, a herança genética, apontada por 89,4%, e a exposição excessiva ao sol, lembrada por 88,3%.

Por outro lado, hábitos ligados ao estilo de vida saudável ainda apresentam baixo nível de associação com a doença. Apenas 48,3% dos brasileiros reconhecem o sedentarismo como fator de risco para o câncer. O excesso de peso e a obesidade foram mencionados por 54,1%, enquanto a baixa ingestão de frutas e verduras foi associada à doença por 53,3% dos entrevistados.

A pesquisa também identificou desconhecimento sobre os riscos relacionados à alimentação. Os alimentos ultraprocessados foram apontados como fator de risco por 65,6% dos participantes, enquanto carnes processadas, como presunto e salsicha, foram citadas por 70,7%. Já o consumo de bebidas alcoólicas foi reconhecido como prejudicial por 71,3% dos entrevistados.

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a falta de conhecimento sobre os benefícios da amamentação. Quatro em cada dez pessoas desconhecem que o aleitamento materno contribui para reduzir o risco de câncer de mama nas mulheres.

O estudo também avaliou os hábitos alimentares dos brasileiros. Cerca de 45% dos entrevistados afirmaram consumir alimentos ultraprocessados e já terem tentado reduzir esse consumo. Em relação aos refrigerantes e bebidas adoçadas, mais da metade relatou consumir esses produtos, mas demonstrou interesse em diminuir a ingestão.

Quando o assunto é carne vermelha, aproximadamente 45% disseram consumir regularmente sem intenção de reduzir o hábito, enquanto 40% afirmaram estar tentando diminuir o consumo.

Por outro lado, a alimentação saudável apresentou indicadores positivos. A pesquisa revelou que 86,3% dos brasileiros consomem frutas, legumes e verduras, embora ainda exista uma parcela que pretende incluir esses alimentos na rotina.

Os jovens de até 24 anos aparecem como o grupo mais vulnerável quando analisados os hábitos relacionados aos fatores de risco. Eles lideram o consumo de ultraprocessados, bebidas adoçadas, embutidos e carne vermelha sem intenção de mudança de comportamento.

O levantamento também abordou o consumo de bebidas alcoólicas. Metade da população declarou não consumir álcool, enquanto parte dos consumidores afirmou já ter tentado reduzir a ingestão. Mais uma vez, os jovens apresentaram os índices mais elevados de consumo sem intenção de redução.

Em relação à atividade física, pouco mais da metade dos entrevistados afirmou praticar exercícios regularmente. Outros 39% disseram ter interesse em iniciar uma rotina de atividades. O estudo identificou ainda diferenças importantes relacionadas à renda: pessoas com maior poder aquisitivo demonstram mais conhecimento sobre a importância da atividade física na prevenção do câncer.

Os resultados apontam que o acesso à informação continua sendo um desafio para a prevenção da doença. Especialistas defendem o fortalecimento de campanhas educativas e de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis, ampliem o acesso à alimentação adequada e criem condições para a prática regular de atividades físicas.

Para os pesquisadores, compreender o nível de conhecimento da população é fundamental para direcionar estratégias de comunicação e prevenção capazes de reduzir o impacto do câncer nos próximos anos.

**Informações via Agência Brasil

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