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Operação interestadual mira grupo suspeito de aplicar fraudes digitais contra clientes de banco online

Polícias de quatro estados cumprem prisões, buscas e bloqueios milionários em investigação sobre golpes eletrônicos e lavagem de dinheiro

🕒 Publicado em 19/05/2026 às 09:44

Uma força-tarefa envolvendo as Polícias Civis de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Maranhão foi mobilizada na manhã desta terça-feira (19) para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes eletrônicos contra clientes de um banco digital. A ofensiva resultou no cumprimento de 29 medidas judiciais, entre mandados de prisão, buscas domiciliares e bloqueios financeiros que ultrapassam R$ 1,9 milhão.

A ação é coordenada pela Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), com apoio das forças policiais dos demais estados envolvidos. Os investigados são suspeitos de crimes como invasão de dispositivos eletrônicos, furto mediante fraude digital, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão. Em Mato Grosso, os trabalhos são conduzidos pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), que identificou uma mulher apontada como liderança do esquema criminoso.

Durante o cumprimento das ordens judiciais na residência da suspeita, os policiais encontraram aproximadamente 10 quilos de skunk, conhecida como “supermaconha”, embalados a vácuo. O marido da investigada foi preso em flagrante por tráfico de drogas.

Como o golpe era aplicado

As investigações apontam que o grupo utilizava um sofisticado esquema virtual para enganar vítimas por meio de páginas falsas na internet. Os criminosos criavam sites clonados do banco digital e impulsionavam os links fraudulentos através de anúncios patrocinados em plataformas de busca.

Quando o usuário pesquisava o nome da instituição financeira, o endereço falso aparecia entre os primeiros resultados, levando a vítima a acreditar que acessava o portal oficial do banco.

Ao inserir os dados bancários e validar um QR Code na página falsa, os criminosos conseguiam capturar as informações de acesso em tempo real. Em seguida, assumiam o controle da conta bancária da vítima, prática conhecida como “sequestro de sessão”, realizando transferências via Pix para contas utilizadas por terceiros.

Estrutura organizada

Segundo a investigação, a quadrilha atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas. Um núcleo técnico era responsável pela criação dos sites falsos e captura das credenciais bancárias. Já o setor financeiro cuidava da movimentação e dispersão dos valores obtidos ilegalmente, enquanto outro grupo realizava a lavagem de dinheiro utilizando empresas de fachada e contas de familiares.

Até o momento, a polícia identificou ao menos 19 vítimas, principalmente no estado de Goiás. O prejuízo inicial estimado ultrapassa R$ 118 mil, mas as análises financeiras revelaram movimentações suspeitas superiores a R$ 4,8 milhões.

As apurações também identificaram pagamentos ligados a anúncios online, serviços de hospedagem de sites e empresas intermediadoras internacionais, reforçando os indícios da continuidade das atividades criminosas.

Polícia faz alerta sobre golpes digitais

O delegado titular da DRCI, Sued Dias Junior, alertou para os cuidados necessários ao acessar serviços bancários pela internet. Segundo ele, criminosos têm utilizado anúncios patrocinados como uma das principais ferramentas para enganar usuários.

A recomendação é evitar clicar em links patrocinados ao procurar instituições financeiras, conferir atentamente o endereço eletrônico do site, desconfiar de links enviados por aplicativos de mensagens e ativar mecanismos de autenticação em dois fatores.

As investigações seguem em andamento para análise dos materiais apreendidos e rastreamento da movimentação financeira do grupo criminoso.

A operação também integra as ações estratégicas da Polícia Civil de Mato Grosso dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero de combate às facções criminosas no estado.

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