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Residência artística em Cuiabá une palhaçaria e culturas de terreiro em novo espetáculo

Projeto imersivo conduzido por Antonia Vilarinho propõe criação coletiva e valorização de saberes afro-brasileiros

🕒 Publicado em 27/04/2026 às 09:17

A cena cultural de Cuiabá recebe uma imersão artística que conecta tradição, pesquisa e criação contemporânea. A doutora em artes cênicas Antonia Vilarinho conduz a residência “Palhaçaria de Terreiro”, que teve início na última sexta-feira (24) e segue até quarta-feira (29), na Galeria Mandala.

A iniciativa integra o processo de criação do espetáculo “Floresta e as pedras pelo caminho”, idealizado pela atriz e pesquisadora Ana Carolina de Mello. O projeto foi selecionado em edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), dentro da Política Nacional Aldir Blanc, e propõe uma investigação artística baseada nas culturas populares brasileiras, com forte influência dos saberes de terreiro.

A residência funciona como um espaço de criação coletiva, onde artistas desenvolvem pesquisas e experimentações a partir da metodologia criada por Antonia Vilarinho. A chamada “Palhaçaria de Terreiro” articula elementos como ancestralidade, musicalidade, corpo e práticas afro-brasileiras, propondo uma abordagem que rompe com padrões tradicionais e valoriza perspectivas anticoloniais.

O resultado dessa imersão será apresentado ao público em julho, com apresentações programadas para os bairros Pedra 90, Parque Cuiabá e Jardim Vitória, ampliando o acesso à produção cultural em diferentes regiões da capital.

Além da montagem do espetáculo, o projeto também promove ações formativas. No dia 30 de abril, será realizada a roda de conversa “Corpos diversos, respeito igual: capacitismo no trabalho cultural”, na Tenda de Umbanda Vó Joaquina de Angola, com mediação do artista Ray Richard. O encontro é aberto ao público e propõe reflexões sobre inclusão e acessibilidade no setor cultural.

A proposta também dialoga com o campo acadêmico. Mestranda da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ana Carolina incorpora o processo criativo da residência em sua pesquisa, que investiga a presença da palhaçaria na cultura afro-ameríndia e os impactos da colonização sobre o corpo artístico. Parte dessa experiência está sendo registrada em diário de bordo e será compartilhada nas redes sociais em formato de vlog a partir de maio.

Combinando arte, ancestralidade e pesquisa, o projeto se posiciona como uma iniciativa que amplia o debate sobre identidade cultural e inovação nas artes cênicas brasileiras.

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