A Prefeitura de Cuiabá elevou o nível de atenção sanitária após a divulgação de novos dados sobre o avanço da Leishmaniose Visceral Canina na capital. O boletim epidemiológico, atualizado até março de 2026 pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e pela Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ), indica crescimento expressivo nos registros e reforça a necessidade de ações preventivas imediatas.
Entre as semanas epidemiológicas 1 e 11 deste ano, foram confirmados 118 casos da doença em cães, representando um aumento de 78,3% na média semanal em comparação ao mesmo período de 2025. O avanço também é evidenciado pelos exames laboratoriais: os diagnósticos positivos via teste ELISA cresceram mais de 50%, ampliando o sinal de alerta para as autoridades de saúde.
No monitoramento em humanos, dois casos de Leishmaniose Visceral foram notificados em 2026 — um já confirmado em morador da cidade e outro ainda sob investigação. A transmissão ocorre por meio da picada do mosquito-palha, vetor que se prolifera em ambientes com acúmulo de matéria orgânica.
Diante desse cenário, a recomendação central é a adoção de medidas simples, porém estratégicas: manutenção da limpeza de quintais, descarte adequado de resíduos e eliminação de locais propícios à reprodução do inseto. A UVZ disponibiliza testagem gratuita para cães, e os tutores devem observar sinais clínicos como lesões cutâneas, queda de pelos, emagrecimento e crescimento anormal das unhas.
Vacinação e controle da raiva
Além da leishmaniose, o boletim reforça o monitoramento da Raiva, considerada uma das zoonoses mais graves. Até março, foram aplicadas 828 doses da vacina antirrábica em cães e gatos em Cuiabá. A orientação é que a imunização seja realizada anualmente em animais saudáveis a partir dos três meses de idade.
No atendimento humano, 436 pessoas procuraram unidades de saúde após exposição de risco, sendo que 66 casos foram classificados como graves, exigindo tratamento completo com soro e vacina. A doença não possui cura, o que torna essencial a busca imediata por assistência médica em situações de mordidas, arranhões ou contato com animais suspeitos.
As ações de vigilância também incluíram 37 investigações em animais com suspeita de infecção, abrangendo morcegos, cães, gatos e espécies silvestres, sem registros em animais de produção.
Prevenção e atendimento
A população pode acessar serviços de vacinação e orientação nos seguintes locais: a própria Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ), o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso e o Hospital Veterinário da Universidade de Cuiabá, mediante agendamento.
As autoridades reforçam que evitar contato com animais doentes ou mortos é fundamental. Em situações suspeitas, a UVZ deve ser acionada imediatamente para avaliação técnica.
A gestão municipal destaca ainda que práticas como abandono ou maus-tratos são crimes, e que o enfrentamento das zoonoses depende diretamente da conscientização coletiva, da responsabilidade dos tutores e da adoção contínua de medidas preventivas.




