24.2 C
Cuiabá
sexta-feira, 17 abril 2026 - 02:45
spot_img
NOTÍCIAPesquisa em Mato Grosso desenvolve novas variedades de abacaxi mais resistentes a...

Pesquisa em Mato Grosso desenvolve novas variedades de abacaxi mais resistentes a doenças

Cultivares Esmeralda e Rubi foram criadas após mais de uma década de estudos para aumentar produtividade e reduzir perdas no campo

🕒 Publicado em 09/04/2026 às 10:00

Após mais de dez anos de pesquisa, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lançou duas novas cultivares de abacaxi adaptadas às condições de cultivo do estado: a Unemat Esmeralda e a Unemat Rubi. O trabalho contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e tem como foco principal a resistência a doenças, melhoria produtiva e viabilidade para os produtores rurais.

Cultivares de abacaxi: à esquerda, a Esmeralda; à direita, o Rubi – Foto por: Arquivo/Pesquisador | FAPEMAT

A iniciativa integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (CPEDA) e do programa de extensão MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias no campo.

O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de abacaxi, mas enfrenta desafios fitossanitários importantes, principalmente a fusariose, doença causada por fungo que pode comprometer até 80% da produção, afetando diretamente cultivares tradicionais como Pérola e Jupi.

Para enfrentar esse problema, os pesquisadores iniciaram, em 2012, a implantação de um banco de germoplasma com diferentes variedades da fruta. A partir disso, foram realizadas análises genéticas, cruzamentos controlados, avaliações de resistência e seleção de materiais mais promissores até chegar às novas cultivares lançadas em 2024.

Legenda – Plantio recomendado é ficar entre 30.000 a 40.000 plantas por hectare. – Créditos – Arquivo/pesquisador | FAPEMAT

As variedades Esmeralda e Rubi apresentam características que favorecem tanto o cultivo quanto o consumo. A Rubi possui formato cilíndrico, polpa amarela, peso médio de 1,6 quilo e teor de açúcar de 13 °Brix. Já a Esmeralda alcança cerca de 2,1 quilos e teor de 13,9 °Brix, indicando maior potencial de doçura. Ambas apresentam bom equilíbrio entre açúcar e acidez, fator valorizado no consumo in natura.

Outro diferencial é a ausência de espinhos nas folhas, o que facilita o manejo, reduz riscos de acidentes e melhora a eficiência no trabalho no campo. As duas cultivares também apresentam porte elevado e boa capacidade de desenvolvimento vegetativo.

No manejo, a recomendação é o uso de mudas do tipo filhote, com plantio organizado para garantir uniformidade, além de densidade entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare. A adubação deve ser feita com base em análise de solo, acompanhada de controle de plantas daninhas e irrigação adequada ao longo do ciclo.

A principal vantagem das novas cultivares é a resistência à fusariose, reduzindo a necessidade de uso de defensivos químicos e aumentando a estabilidade da produção.

Segundo o coordenador do projeto, professor doutor Willian Krause, o desenvolvimento das variedades representa um avanço importante para o setor. A iniciativa amplia as opções tecnológicas para os produtores e reforça o papel da pesquisa pública no fortalecimento da agricultura em Mato Grosso.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS