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Enfoque humano e social

Formação promovida pelo Ministério da Justiça visa aprimorar atuação de agentes na busca e localização de desaparecidos

🕒 Publicado em 02/06/2025 às 22:33

A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou, nesta segunda-feira (2), uma capacitação voltada à investigação de pessoas desaparecidas, com o objetivo de qualificar agentes para lidar de forma mais eficiente com esse tipo de ocorrência. O curso, intitulado Investigação Policial Aplicada à Busca e Localização de Pessoas Desaparecidas, é promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, em parceria com a Coordenadoria da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas.

Com carga horária de 40 horas, a formação reúne 40 policiais civis de diferentes estados, entre eles Rio de Janeiro, Goiás, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Piauí. A proposta é desenvolver habilidades técnicas e procedimentais específicas para investigações que envolvam desaparecimentos, desde a abordagem inicial até a coleta e análise de informações em ambientes diversos.

Segundo a delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Silveira Maildel, a capacitação é essencial diante da complexidade emocional e social que envolve casos de desaparecimento. “Quem atua nessa área entende a dor das famílias e a responsabilidade que recai sobre nós, como investigadores. É preciso estar preparado para dar respostas à sociedade”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Janaína Paula Brito de Souza Silva, que também lidera o curso, reforça que o conteúdo propõe uma mudança de mentalidade sobre o tema. “A investigação preliminar é crucial, pois um desaparecimento pode esconder crimes como homicídios, sequestros ou feminicídios. O profissional precisa estar atento desde o primeiro contato com a ocorrência”, explicou.

A edição realizada em Mato Grosso é a segunda com abrangência regional. Ao todo, 178 profissionais já passaram pela formação desde o início do programa, em 2024. A coordenadora da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, Iara Buoro Sennes, destaca que o curso aborda desde o acolhimento às famílias até técnicas mais aprofundadas de investigação, como uso de bases de dados e interlocução com serviços de identificação humana.

Mato Grosso tem sido destaque nacional na aplicação de políticas públicas voltadas para pessoas desaparecidas. A coleta de digitais e material genético, por exemplo, tem permitido a identificação de indivíduos que estavam desaparecidos há anos, muitos dos quais foram localizados já em óbito. Em alguns casos, ossadas foram identificadas por meio de DNA fornecido por familiares em campanhas nacionais.

“Estamos conseguindo fechar casos antigos, como pessoas que morreram em hospitais ou vítimas de acidentes sem identificação. A coleta de DNA tem sido decisiva para isso”, concluiu Janaína.

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